Assim, o acompanhamento da evolução dos principais indicadores para o sector imobiliário pode trazer pistas no que toca ao desenvolvimento da economia norte-americana em 2008.
Esta semana foram publicados dados pouco animadores referentes ao sector da construção. Apesar da construção de novas habitações ter aumentado 0,8% em Janeiro face a Dezembro, no mesmo perÃodo assistiu-se a uma contracção de 3% nas licenças de construção concedidas, um indicador avançado do comportamento do sector, que atingiu o mÃnimo dos últimos 16 anos. Para além disso, segundo a Countrywide Financial Corp. as prestações de crédito à habitação em atraso atingiram em Janeiro o nÃvel mais elevado dos últimos seis anos e a execução de hipotecas atingiu os 1,48%, o que aumenta a oferta de casas no mercado, aumentando os desequilÃbrios existentes.
Do lado da procura, os últimos dados para as vendas de habitações, tanto novas como usadas, que remontam a Dezembro não evidenciam uma quebra da tendência negativa que se arrasta desde 2005 além de que um indicador avançado que mede as promessas de compra de casas usadas voltou a variar negativamente em Dezembro. Para além disso, segundo dados da Mortgage Bankers Association, a procura de crédito à habitação esteve ao nÃvel mais baixo desde o inÃcio do ano na segunda semana de Fevereiro. A polÃtica monetária da Fed não surtiu, pelo menos para já, os efeitos desejados no sector imobiliário, na medida em que, a descida das taxas de juro de referência não parece ter aumentado a procura de casas tendo o Ãndice do mercado imobiliário, revelado no passado dia 19 pela National Association of Home Builders, continuado em nÃveis significativamente abaixo dos 50, que representaria uma situação neutral.
Neste contexto, os preços das casas deverão continuar a sofrer pressões no sentido de baixa. O indicador do preço das casas do Office of Federal Housing Enterprise Oversight caiu pela primeira vez em quase 30 anos no terceiro trimestre do ano passado tendo diminuÃdo 0,4% face ao trimestre anterior. Também o Ãndice de preços das casas S&P/Case-Shiller que considera 10 cidades, cujo valor mais recente divulgado remonta a Novembro de 2007, apresentou uma queda recorde de 8% em termos homólogos, superior à observada em 1991.
Perante estes dados, não existem indicações de que o sector esteja a recuperar da profunda crise em que se encontra, devendo continuar a arrastar a economia dos EUA para crescimentos muito baixos, estando garantido um perÃodo prolongado de crescimento abaixo da tendência histórica.
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