Os problemas que afectam os mercados de crédito, actualmente, estão longe de terminar, de facto, parecem saltar de segmento de mercado em segmento de mercado deixando um rasto de prejuízos à sua passagem. Um factor comum às perturbações que se têm feito sentir é a falta de liquidez existente, não obstante, as intervenções que os principais bancos centrais efectuaram no sentido de regularizar a liquidez nos mercados financeiros, que acabaram por ter um efeito temporário sobre estes. Na sequência novas intervenções estão a ser ultimadas, nomeadamente, a Fed criou um novo instrumento de política monetária – Term Securities Lending Facility – que consiste na cedência de liquidez através do empréstimo de obrigações do tesouro em que o colateral utilizado pelas instituições financeiras são obrigações hipotecárias, instrumento através do qual planeia ceder 200 mil milhões de dólares.
Apesar destes esforços, a falta de predisposição das instituições financeiras para cederem liquidez ao mercado, que se traduz em condições de acesso ao crédito mais restritas, impede que o normal funcionamento dos mercados financeiros retome. Como referenciado acima, a desalavancagem tem constituído um dos principais riscos sobre os mercados de crédito, uma vez que estes se encontram alavancados entre 10 e 15 vezes, o que faz com à medida que os preços descem e são feitas chamadas na margem, que pressionam os preços no sentido descendente provocando novas chamadas na margem. Para além disso, no presente contexto de restrição no acesso ao crédito, o montante das chamadas nas margens tem sido superior, aumentando a dificuldade dos investidores para responderem a esta chamada. Este círculo vicioso poderia ser contrariado a partir do momento em que os fundamentais de mercado indicassem que os activos se encontram num nível considerado barato, tal não acontece de momento, principalmente, por duas razões: primeiro, os agentes que se encontram neste momento a desalavancar as suas posições são aqueles que tradicionalmente investem neste tipo de mercados; segundo, existem receios que a existência de cláusulas que obrigam à alienação de activos caso estes atinjam um determinado nível espolete uma venda massiva de activos ampliando, ainda mais, as perdas.
Estes acontecimentos têm aumentado os receios quanto ao montante das perdas que as instituições financeiras irão registar, bem como, quanto ao aumento da taxa de insolvência, o que tem levado os spreads de crédito para níveis ainda mais elevados. Assim o custo de um CDS – indicador avançado do custo de financiamento de uma entidade – medido pelos índices iTraxx Europe (constituído por empresas da classe de investimento) e iTraxx Crossover (constituído por empresas da classe especulativa) têm atingido sucessivos recordes, augurando-se um futuro particularmente difícil para as instituições financeiras nos meses que se seguem.
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