Nos mercados financeiros, as principais preocupações centram-se nas restrições financeiras das principais instituições, as quais têm efeitos no custo e na disponibilidade do crédito. Assim, por um lado temos assistido a um aumento dos spreads de crédito, embora com uma ligeira melhoria após meados de Março, e por outro as condições de acesso ao crédito têm-se tornado mais restritas. Estes acontecimentos têm-se reflectido na emissão de dÃvida, particularmente fora do espectro da classe de investimento em que as emissões estagnaram.
Devido à s condições de acesso ao crédito mais restritas, a venda de casas, novas e usadas, têm caÃdo de forma quase ininterrupta, colocando pressão sobre os preços no sentido descendente. Espera-se, então, que a construção residencial continue em contracção nos trimestres que se seguem.
O emprego, por sua vez, tem contraÃdo, em grande parte devido ao enfraquecimento do sector da construção, mas com o abrandamento da economia espera-se que a deterioração das condições no mercado de trabalho se reflictam noutros sectores conduzindo a um aumento da taxa de desemprego.
A situação das famÃlias é, pois, adversa, e o crescimento do rendimento disponÃvel e da despesa do consumidor – que constitui cerca de 2/3 do PIB norte-americano – abrandaram. O estÃmulo fiscal já aprovado pelo Congresso poderá constituir um factor de suporte ao crescimento da despesa, mas os efeitos deverão concentrar-se no segundo semestre de 2008.
A situação das empresas não financeiras permanece estável com estas a apresentarem solidez financeira. A incerteza quanto à evolução futura da economia levou a uma diminuição dos investimentos projectados embora a depreciação do dólar tenha provocado um forte aumento da procura externa. A Fed espera que a procura externa liquida tenha um contributo positivo para o crescimento económico nos próximos trimestres.
Face a estes problemas a Fed espera, como referido anteriormente, que o PIB no primeiro semestre cresça ligeiramente, existindo a possibilidade de contracção e antecipa uma recuperação na segunda metade do ano em parte devido aos estÃmulos fiscais e monetários. Em 2009, espera que o PIB evolua próximo do ritmo potencial induzido pela estabilização dos mercados financeiros e imobiliário. No entanto, a incerteza quanto a este cenário é elevada.
A Fed voltou a demonstrar que a inflação é uma fonte de preocupação. Os seus nÃveis elevados resultam em grande parte do aumento do petróleo, bens agrÃcolas e outras commodities. A expectativa de uma descida dos preços dos bens energéticos e alimentares nos próximos meses, conjugada com a recente diminuição ligeira da inflação core, leva a que Fed espere que a inflação modere nos trimestres que se seguem. No entanto, a existência de indicadores que apontam para uma subida das expectativas da inflação levam a Fed a estar especialmente atenta à evolução dos preços.
Consubstanciando as preocupações destacam-se uma série de indicadores económicos saÃdos ao longo das últimas semanas. A venda de casas novas voltou a decair, em Fevereiro, 1,8%, enquanto que a venda de casas usadas subiu, no mesmo perÃodo, 2,9%. O sinal dado pela venda de casas usadas poderá indicar que a procura estará a começar a reagir à descida dos preços, embora ainda seja precoce para confirmarmos esta tendência. Numa base anual, os preços das casas diminuÃram 10,7%, em Janeiro. Por seu lado a confiança do consumidor desceu de 76,4 para 64,5 pontos, o nÃvel mais baixo dos últimos cinco anos, confirmando os receios da Fed quanto a um abrandamento do consumo. Mais ainda, as encomendas de bens duradouros continuaram a descer, em Fevereiro, devido a uma diminuição significativa das encomendas de máquinas bem como das encomendas à s fábricas que desceram 1,3%, em Fevereiro, depois de uma descida de 2,3%, em Janeiro, denotando um abrandamento da actividade económica nos EUA.
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