As más notícias que têm penalizado o dólar não estão ainda esgotadas, e na última semana voltámos a ter registos disso mesmo. Os dados do mercado imobiliário voltaram a revelar um sector em forte quebra, enquanto que o indicador avançado da actividade económica, que apresenta uma significativa correlação com o PIB voltou a cair, pelo quinto mês consecutivo (normalmente considera-se que três/quatro quedas sinalizam um cenário de recessão económica). Mais, os pedidos semanais de subsídio de desemprego voltaram a aumentar e os pedidos continuados atingiram o patamar mais elevado desde Junho de 2004. A isto acresce que os dados da inflação apresentaram um movimento de subida de acordo com as expectativas, sendo que a inflação core apresentou mesmo uma evolução mais moderada que o esperado. Desta forma, o cenário actual é o de uma situação de desaceleração da economia, e em que os preços não constituem um entrave à política monetária da Reserva Federal. Donde, o ciclo de queda da taxa dos fed-funds deverá prosseguir.
Em contrapartida, do lado do euro, aglomeram-se os sinais de que um corte de taxas de juro não irá ocorrer num futuro previsível, agravando o diferencial de taxas relativamente aos EUA, constituindo um factor de penalização da moeda norte-americana. De facto, o cenário de corte de taxas de juro ficou mais longínquo na passada semana, depois da divulgação dos dados da inflação. A inflação homóloga de Março subiu para 3,6%, superando as expectativas e divergindo cada vez mais do objectivo dos 2% definido pelo BCE. Esta subida dos preços traduz não só um aumento dos preços energéticos, mas também dos preços dos bens alimentares. A inflação core também apresentou uma subida significativa: 2,0% em termos homólogos, face a 1,8% em Fevereiro. O desempenho desta medida de preços core sugere que o efeito de subida dos preços energéticos e alimentares poderá já estar a ter um efeito de contágio aos restantes preços. Face a este cenário da inflação, a política monetária não deverá sofrer alterações, apesar de alguns indicadores a sugerirem sinais de exaustão da actividade económica. Como é o caso o índice ZEW, relativamente ao sentimento económico na maior economia da zona do euro, que se degradou acima das expectativas no último mês.
Esta semana, os mercados irão estar atentos aos indicadores, mas também à divulgação dos resultados trimestrais dos principais bancos norte-americanos. De facto, os resultados conhecidos até ao momento têm desapontado, e as expectativas relativamente aos próximos anúncios também são baixas, o que é revelador de que continuam a ser aguardadas mais notícias desfavoráveis relacionadas com a crise dos subprime, prejudicando o dólar e beneficiando o euro.
Em termos de agenda de indicadores económico, nos EUA, da agenda de indicadores desta semana destaca-se a divulgação de indicadores do mercado imobiliário relativamente a Março: vendas de casas usadas (3ªfeira) e vendas de casas novas (5ªfeira). Os dois indicadores têm mantido uma tendência de queda, que deverá voltar a ser confirmada pelos dados de Março, reforçando a ideia de que a economia continua a ser penalizada pelo enfraquecimento do sector imobiliário. Na zona do euro, destacam-se os dados do PMI da manufactura e serviços, que podendo apresentar uma desaceleração, deverão continuar a ser indicativos de um cenário de expansão. Donde, o cenário deverá continuar a ser favorável à evolução do câmbio euro/dólar. Em termos de indicadores de sentimento económico, há a observar de que forma evolui o índice Ifo em Abril na Alemanha. Este indicador tem mantido um vigor acima das expectativas. Também em França se destaca a publicação de um relatório sobre o nível de confiança dos empresários. Igualmente neste caso o valor do mês anterior surpreendeu positivamente, tendo tido uma subida mais acentuada que as previsões. No entanto, alguns factores no decorrer deste mês acentuaram-se e poderão contribuir para uma evolução mais moderada destes indicadores de sentimento nas maiores economias da zona do euro: a valorização da cotação euro/dólar, a subida do preço do petróleo e efeito que isso está a ter nos preços da região, bem como o acentuar da desaceleração da economia dos EUA e o clima de instabilidade.
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