Análise Económica

Análise BPI 2008-04-21 14:56

O câmbio euro/dólar atingiu um novo máximo histórico

Na passada semana, o câmbio euro/dólar atingiu um novo máximo histórico em 1,5977. A aproximação à barreira dos 1.60 era esperada, num contexto de afirmação da tendência de valorização do euro no médio prazo. Agora, é de esperar no curto prazo um movimento de correcção com alguma expressão.

Susana de Jesus Santos, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI

De facto, os argumentos que têm suportado a tendência de alta do câmbio euro/dólar deverão manter-se, já que têm a ver com diferenças de cenário económico e de política monetária, agravados pelo clima de instabilidade financeira e aumento do grau de aversão ao risco.

As más notícias que têm penalizado o dólar não estão ainda esgotadas, e na última semana voltámos a ter registos disso mesmo. Os dados do mercado imobiliário voltaram a revelar um sector em forte quebra, enquanto que o indicador avançado da actividade económica, que apresenta uma significativa correlação com o PIB voltou a cair, pelo quinto mês consecutivo (normalmente considera-se que três/quatro quedas sinalizam um cenário de recessão económica). Mais, os pedidos semanais de subsídio de desemprego voltaram a aumentar e os pedidos continuados atingiram o patamar mais elevado desde Junho de 2004. A isto acresce que os dados da inflação apresentaram um movimento de subida de acordo com as expectativas, sendo que a inflação core apresentou mesmo uma evolução mais moderada que o esperado. Desta forma, o cenário actual é o de uma situação de desaceleração da economia, e em que os preços não constituem um entrave à política monetária da Reserva Federal. Donde, o ciclo de queda da taxa dos fed-funds deverá prosseguir.

Em contrapartida, do lado do euro, aglomeram-se os sinais de que um corte de taxas de juro não irá ocorrer num futuro previsível, agravando o diferencial de taxas relativamente aos EUA, constituindo um factor de penalização da moeda norte-americana. De facto, o cenário de corte de taxas de juro ficou mais longínquo na passada semana, depois da divulgação dos dados da inflação. A inflação homóloga de Março subiu para 3,6%, superando as expectativas e divergindo cada vez mais do objectivo dos 2% definido pelo BCE. Esta subida dos preços traduz não só um aumento dos preços energéticos, mas também dos preços dos bens alimentares. A inflação core também apresentou uma subida significativa: 2,0% em termos homólogos, face a 1,8% em Fevereiro. O desempenho desta medida de preços core sugere que o efeito de subida dos preços energéticos e alimentares poderá já estar a ter um efeito de contágio aos restantes preços. Face a este cenário da inflação, a política monetária não deverá sofrer alterações, apesar de alguns indicadores a sugerirem sinais de exaustão da actividade económica. Como é o caso o índice ZEW, relativamente ao sentimento económico na maior economia da zona do euro, que se degradou acima das expectativas no último mês.

Esta semana, os mercados irão estar atentos aos indicadores, mas também à divulgação dos resultados trimestrais dos principais bancos norte-americanos. De facto, os resultados conhecidos até ao momento têm desapontado, e as expectativas relativamente aos próximos anúncios também são baixas, o que é revelador de que continuam a ser aguardadas mais notícias desfavoráveis relacionadas com a crise dos subprime, prejudicando o dólar e beneficiando o euro.

Em termos de agenda de indicadores económico, nos EUA, da agenda de indicadores desta semana destaca-se a divulgação de indicadores do mercado imobiliário relativamente a Março: vendas de casas usadas (3ªfeira) e vendas de casas novas (5ªfeira). Os dois indicadores têm mantido uma tendência de queda, que deverá voltar a ser confirmada pelos dados de Março, reforçando a ideia de que a economia continua a ser penalizada pelo enfraquecimento do sector imobiliário. Na zona do euro, destacam-se os dados do PMI da manufactura e serviços, que podendo apresentar uma desaceleração, deverão continuar a ser indicativos de um cenário de expansão. Donde, o cenário deverá continuar a ser favorável à evolução do câmbio euro/dólar. Em termos de indicadores de sentimento económico, há a observar de que forma evolui o índice Ifo em Abril na Alemanha. Este indicador tem mantido um vigor acima das expectativas. Também em França se destaca a publicação de um relatório sobre o nível de confiança dos empresários. Igualmente neste caso o valor do mês anterior surpreendeu positivamente, tendo tido uma subida mais acentuada que as previsões. No entanto, alguns factores no decorrer deste mês acentuaram-se e poderão contribuir para uma evolução mais moderada destes indicadores de sentimento nas maiores economias da zona do euro: a valorização da cotação euro/dólar, a subida do preço do petróleo e efeito que isso está a ter nos preços da região, bem como o acentuar da desaceleração da economia dos EUA e o clima de instabilidade.


Comentários
 
ninbuem (nin@sapo.pt)
Se eu pago o gasóleo - nas gasolineiras - em €, porque é que todos os dias encontro o gasóleo mais caro?! Anda por aí especulação forte e o governo agradece porque recebe mais impostos, não é verdade?
 
Lourenço Dias da Silva (lourencodias@hotmail.com)
Parce-me obsessão centrar o cambio euro/dólar no subprime, deixando de parte o interesse e a solidariedade entre a UK-EUA na subida do preço do petróleo.
 
Alguém que tire os tipos que etão no BCE de lá para fora!!! Eles vão-nos levar à desgraça, à fome e à miséria total!!! Socorro!!! Socorro!!! Socorro!!! Mas vamos ficar com a melhor taxa de inflação do mundo... Por favor tirem esses palhaços desse lugar tão especial e estratégico, que é o BCE!!!
 
lince da malcata
sagaz e para meditar o comentário acima. E só por isso o do outro lado ainda não se viraram de todo para o pacífico como vão ameaçando há anos . relembro aquela da "velha" europa
 
Que todas as pessoas com créditos à habitação se unão e decidam o seguinte: deixar de pagar, todas ao mesmo tempo, as prestações aos bancos. Depois quero ver se baixam as taxas de juro ou não...
 
xpto
SEM O CONTROLO DE INFLAçÂO, NÃO HÁ CRESCIMENTO QUE NOS VALHA. PARECE QUE NINGUÉM SE LEMBRA DOS ANOS 80, COM TAXAS DE JURO ACIMA DOS 20% E CRESCIMENTO RELATIVA/ BAIXO, SEM CRIAçÃO DE EMPREGO.
 
Vitor Santos
Como é, o € vale 1,60 USD??!! Quem diria... Então pq razão o preço dos combustiveis continua a aumentar??!! Não percebo... Tenho que voltar para a escola para reaprender a fazer contas...
 
Tóino
Para quem tem créditos até aos cabelos (como infelizmente acontece com muitos portugueses), mesmo juros de 1% seriam muito elevados e estariam neste momento a berrar para que fossem postos a 0%! O histórico das taxas de juro em Portugal nos últimos 100 anos demostra que taxas de juro inferiores a 5-6% são uma raridade. A conclusão é simples: as taxas de juro não estão demasiado elevadas, os valores em dívida é que são demasiado elevados!
 
Anibal
Os Portugueses que se endividem menos e façam umas poupanças! Que deixem de encher os voos para o Brasil para se gabarem que o Algarve é uma seca! Nesse caso, sem dividas enormes aos bancos, um taxa de juro alta é muito boa...
 
Jose Jesus
Os combustíveis estão mais realmente mais caros para os consumidores - ainda que para as gasolineiras talvez nem tanto assim - as matérias primas também sobem de preço, os bens alimentares básicos idem, e o BCE continua obcecado com o controlo da inflação?! Arre burro!
 
luis
com inflaçao sobem os preços se as empresas ja estao aflitas nao sobem os salarios e começao a despedir.ai sera muito pior.lembro-me de em 1981 pagar credito para investimento a 36%ao ano.giro nao era?e a banca era nacionalizada.do povo como diziam na altura.......
 
luis
ja nao se lembram?por volta de 1988 um euro valia 124escudos.equivalente a 1.61 euro.em 2009 veremos o euro no seu valor normal 1.30 euro.isto e o euro ira cair mais de 20 % em relaçao ao dolar americano.
 
luis
dentro de algum tempo 2009,as taxas do dolar começarao a subir.as do euro iram descer.ai veremos se o euro nao cai para um valor mais consentaneo com o real valor .1.30 euros
 
luis
so podemos ter taxas mesmo assim tao baixas porque e a taxa do euro.basta olhar para o brazil um pais em que o pib cresce 5%ao ano a inflaçao e de 4.5% mas as taxas sao de 12%.
 
Antonio U.S.A.
Os portugueses merecem ter o governo em que votaram... CONTINUEM!!!
 
javai
em parte concordo com o ZE.de facto so nos resta essa atitude.NAO PAGAR.ai vamos ver em que mes nasce a poupa.em relaçao aos combustiveis,recebi algumas mensagens para nao abasteçer galp.repsol,bp.tenho leitura oposta.acho que devemos abasteçer,quando digo abasteçer digo atestar deposito,sempre todos os dias e NAO PAGAR.temos de acabar com estes salteadores,saqueadores,que nos tem feito a vida num farrapo.onde andas MARIA DA FONTE....?
 
xico tico
Calma lá aí.... o zé povito é q se deixa enganar!!! Isto tá bom é para investir em depósitos a prazo e afins!!!! É tudo a pedir emprestado para uma cazita, para o carrito e para as férias em Cuba.... (deixaram-se enganar pela propaganda do crédito maravilhoso, típico de um pais pobre... enfim povo burro q vive na ilusão da satisfação imediata... pois para esses sim acredito q a vida esteja dificil )Infelizmente para mim a mama do arrendamento jovem terminou, ainda pensei em comprar casa, (sim pq ao menos tou a investir numa coisa q é para mim, dizem os meus amigos, mas depois tive a ver o panorama de mtos, enfim.... qual quê vou mas é guardar o dinheirito no banco para render uns juros porreiros (já q cada vez mais a tx juro é cada vez mais elevada)e esperar q Portugal esteja tao pobre q os Chupistas do ramo imobiliário sejam obrigados a baixar o preço das casas e aí então tentar comprar uma cazita para os meus filhos. Para q me interessa a mim q o dólar esteja mais alto ou mais baixo!!!! POVO DE PORTUGAL ---> É NA POUPANÇA QUE ESTÁ O GANHO!!! NÃO SE DEIXEM IR ABAIXO COM ESTAS TRETAS DA CRISE!!! JÁ CHEGA DE ANÁLISES MUNDIAIS!!! VAMOS FAZER NÓS A DIFERENÇA!!!
 
 
envie o seu comentário
 
nome:
email (opcional):
comentário:
Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

Publicidade

Serviços ao Investidor




[an error occurred while processing this directive]