Análise Económica

Análise BPI 2008-05-16 09:00

Dados do PIB na zona euro espelham fortes assimetrias

Os dados divulgados nos últimos dias mostram que no seio da zona euro coexistiram, ao longo do primeiro trimestre de 2008, economias relativamente robustas a esta crise, como é o caso da alemã, com outras em séria desaceleração, como a portuguesa e a espanhola, entre outras.

Lara Wemans, do Departamento de Estudos Económicos e Financeiros do BPI

Segundo estimativas do Eurostat, o saldo no conjunto da zona euro levou a que, no primeiro trimestre, o PIB tenha crescido 2,2% em termos homólogos e 0,7% em cadeia, o que representa, no contexto actual, um sinal bastante positivo. No entanto, a probabilidade de que esta tendência se mantenha nos próximos trimestres é baixa.

No início de Maio, os EUA apresentaram a primeira estimativa para a evolução do PIB no primeiro trimestre de 2008, que surpreendeu pela positiva apontando para uma manutenção do ritmo de crescimento do último trimestre de 2007. No dia 15, foi a vez do Eurostat publicar as primeiras estimativas de evolução do PIB referentes ao trimestre passado. Apesar de os números apresentados estarem expostos a revisões significativas, faz sentido analisar quais as economias que parecem ter sentido mais fortemente a crise nos primeiros três meses de 2008.

Como um todo, o crescimento da zona euro continuou a mostrar-se bastante resiliente, mas esta evolução esconde divergências significativas entre os 15 países que partilham a moeda única. Destaca-se pela positiva, a evolução da economia alemã que, beneficiando de um Inverno mais moderado do que o habitual, teve uma expansão de 1,5% em cadeia e de 2,6% em termos homólogos. Pelo contrário, as economias Portuguesa e Espanhola sofreram um forte recuo no crescimento do PIB no trimestre passado, que veio comprometer seriamente as expectativas de crescimento a médio prazo.

Ao contrário da economia alemã, cujo crescimento superou em muito as expectativas dos analistas, em Espanha, o PIB cresceu apenas 2,7% em termos homólogos, o que compara com níveis de crescimento trimestral homólogo entre 3,5% e 4,1% ao longo de 2007. Esta desaceleração espelha um país a braços com uma grave crise imobiliária que tem pesado sobre o sector da construção, não existindo sinais de que esta esteja próximo de resolvida. Neste contexto, tudo indica que a médio prazo a Espanha não consiga recuperar os ritmos de crescimento dos últimos anos, o que despoletará inevitáveis impactos negativos na economia portuguesa. Os dados para Portugal foram ainda menos animadores porque, para além de uma queda de 0,2% no PIB face ao trimestre anterior e de uma variação homóloga de 0,9%, o INE procedeu à revisão em baixa dos dados relativos ao ano passado, de 1,9% para 1,8%. Neste cenário, as nossas projecções, que apontam para que a economia portuguesa cresça apenas 1,6% em 2008, passaram a apresentar maiores riscos no sentido de baixa.

No que toca a perspectivas para a evolução das economias da zona euro, parece pouco provável que aquele que tem sido o principal motor da economia da UEM, a Alemanha, consiga manter ritmos de crescimento tão elevados, na medida em que, a desaceleração dos EUA e a depreciação do dólar deverão pôr em causa o comportamento das exportações enquanto que elevadas taxas de juro de mercado e os níveis de inflação tenderão a deprimir o consumo e o investimento. Para além disso, os indicadores de sentimento económico têm, de um modo geral, vindo a indicar uma queda nas perspectivas de consumo na generalidade dos países da zona euro o que não augura nada de positivo para os próximos trimestres; nomeadamente o indicador ZEW tem-se mantido em níveis muito baixos, rondando -40 pontos, desde o início do ano e o indicador de sentimento económico desceu abaixo dos 100 em Março e em Abril foi de apenas 97,1.

Até ao final do mês, serão conhecidos os detalhes da evolução do PIB em vários países da União Económica e Monetária (UEM), o que acontecerá em Portugal só no dia 9 de Junho. Estes dados permitirão uma análise mais completa da evolução das diferentes economias ao longo do primeiro trimestre de 2008, informação fundamental para a construção dos pressupostos de crescimento a médio prazo. Para além disso, durante a próxima semana serão divulgados os indicadores ZEW de Maio para a economia alemã e para a zona euro, que poderão fornecer mais pistas sobre a evolução futura da economia da UEM.


Comentários
 
Realista
Algumas ideias soltas a propósito. 1- Caímos sempre no erro de considerar a UEM como um bloco, só por usar uma moeda comum. Não é. Entre Alemanha e Portugal ha um mundo de diferença. 2- Porque é que a autora poe Portugal e Espanha lado a lado? A Espanha cresceu mais do que previa. E se a média da UEM foi de 2,2 e na (minha querida) Espanha 2,7, então deve haver muito pior. 3- Tenho a sensação que o primeiro trim. é atípico. Até os EUA cresceram. Vamos aguardar. 4-PORTUGAL TEM QUE ARRANCAR COM OS INVESTIMENTOS PÚBLICOS!
 
JM
Então a economia Portuguesa está preparada ou não?
 
giserico (giserico@gmail.com)
Mais uma vez se prova que os fundadores de Portugal tinham e têm razão. O sentido de evolução só pode ser o atlântico. Assim, os arquipélagos do Atlântico são os vectores de interligação de três continentes. Como dizia um Professor meu "O terreno é ditador". Eis os pontos de ligação: Porto-Aragão-Alemanha; Lisboa-Açores-América do Norte; Lisboa-Cabo Verde-Brasil; Lisboa-S.Tomé-Angola; Lisboa-Cabo-Verde-Golfo da Guiné; Faro-Madeira-Marrocos. As infra-estruturas de comunicação (portos, aeroportos, rodovia e ferrovia) devem assentar nestes eixos. Não se esqueçam, no início do Reino tentou-se muitas vezes a vocação europeia e a coisa resultou sempre mal.
 
Joao
Mas que barbaridades... Que comentários... que tristeza...
 
júlio Est
Os governos têm tido menos rigor e mais incompetência. Esbanjam dinheiro em obras sem benefício,em privilégios de funcionários de institutos e empresas públicas, em ordenados milionários como na Ana/Nav, indemnizações faraónicas na EPAL ( o ano passado apesar dos prejuízos distribuiu prémios a funcionários e administração), etc,etc,... Só para enumerar a falta de rigor e pudor, era a noite toda...
 
 
envie o seu comentário
 
nome:
email (opcional):
comentário:
Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

Publicidade

Serviços ao Investidor




[an error occurred while processing this directive]