No inÃcio de Maio, os EUA apresentaram a primeira estimativa para a evolução do PIB no primeiro trimestre de 2008, que surpreendeu pela positiva apontando para uma manutenção do ritmo de crescimento do último trimestre de 2007. No dia 15, foi a vez do Eurostat publicar as primeiras estimativas de evolução do PIB referentes ao trimestre passado. Apesar de os números apresentados estarem expostos a revisões significativas, faz sentido analisar quais as economias que parecem ter sentido mais fortemente a crise nos primeiros três meses de 2008.
Como um todo, o crescimento da zona euro continuou a mostrar-se bastante resiliente, mas esta evolução esconde divergências significativas entre os 15 paÃses que partilham a moeda única. Destaca-se pela positiva, a evolução da economia alemã que, beneficiando de um Inverno mais moderado do que o habitual, teve uma expansão de 1,5% em cadeia e de 2,6% em termos homólogos. Pelo contrário, as economias Portuguesa e Espanhola sofreram um forte recuo no crescimento do PIB no trimestre passado, que veio comprometer seriamente as expectativas de crescimento a médio prazo.
Ao contrário da economia alemã, cujo crescimento superou em muito as expectativas dos analistas, em Espanha, o PIB cresceu apenas 2,7% em termos homólogos, o que compara com nÃveis de crescimento trimestral homólogo entre 3,5% e 4,1% ao longo de 2007. Esta desaceleração espelha um paÃs a braços com uma grave crise imobiliária que tem pesado sobre o sector da construção, não existindo sinais de que esta esteja próximo de resolvida. Neste contexto, tudo indica que a médio prazo a Espanha não consiga recuperar os ritmos de crescimento dos últimos anos, o que despoletará inevitáveis impactos negativos na economia portuguesa. Os dados para Portugal foram ainda menos animadores porque, para além de uma queda de 0,2% no PIB face ao trimestre anterior e de uma variação homóloga de 0,9%, o INE procedeu à revisão em baixa dos dados relativos ao ano passado, de 1,9% para 1,8%. Neste cenário, as nossas projecções, que apontam para que a economia portuguesa cresça apenas 1,6% em 2008, passaram a apresentar maiores riscos no sentido de baixa.
No que toca a perspectivas para a evolução das economias da zona euro, parece pouco provável que aquele que tem sido o principal motor da economia da UEM, a Alemanha, consiga manter ritmos de crescimento tão elevados, na medida em que, a desaceleração dos EUA e a depreciação do dólar deverão pôr em causa o comportamento das exportações enquanto que elevadas taxas de juro de mercado e os nÃveis de inflação tenderão a deprimir o consumo e o investimento. Para além disso, os indicadores de sentimento económico têm, de um modo geral, vindo a indicar uma queda nas perspectivas de consumo na generalidade dos paÃses da zona euro o que não augura nada de positivo para os próximos trimestres; nomeadamente o indicador ZEW tem-se mantido em nÃveis muito baixos, rondando -40 pontos, desde o inÃcio do ano e o indicador de sentimento económico desceu abaixo dos 100 em Março e em Abril foi de apenas 97,1.
Até ao final do mês, serão conhecidos os detalhes da evolução do PIB em vários paÃses da União Económica e Monetária (UEM), o que acontecerá em Portugal só no dia 9 de Junho. Estes dados permitirão uma análise mais completa da evolução das diferentes economias ao longo do primeiro trimestre de 2008, informação fundamental para a construção dos pressupostos de crescimento a médio prazo. Para além disso, durante a próxima semana serão divulgados os indicadores ZEW de Maio para a economia alemã e para a zona euro, que poderão fornecer mais pistas sobre a evolução futura da economia da UEM.
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