Edição Impressa - Economia

Economia na zona euro 2008-09-05 00:05

Trichet revê em baixa crescimento na zona euro

Economia em 2009 continuará perto da estagnação.

Margarida Peixoto

O Banco Central Europeu (BCE) reviu ontem em baixa as expectativas de crescimento para a zona euro. Para 2008, a previsão é de 1,4% e para o próximo ano não vai além de 1,2% de crescimento.

“Os riscos continuam do lado negativo”, admitiu ontem Jean-Claude Trichet. Mas o presidente do BCE sublinhou de imediato que as razões do risco potencial se justificam pelo impacto que a inflação elevada poderá ter no investimento e no consumo.

A zona euro tem vindo a revelar os impactos cada vez maiores da crise. No segundo trimestre deste ano o Produto Interno Bruto (PIB) dos países da moeda única contraiu 0,2% face ao trimestre anterior. As causas foram a queda do consumo e o pior desempenho das exportações e do investimento.

Até meados deste ano a zona euro estava a resistir à forte valorização do euro face ao dólar, com a Alemanha a mostrar uma resistência acima do esperado. No entanto, os economistas explicam que os efeitos da valorização da moeda levam tempo a revelar-se, já que muitos contratos são anuais. Contudo, ao fim de praticamente um ano de subidas acumuladas, as exportações começaram a ceder.

Com o abrandamento da economia europeia e um primeiro retomar da economia norte-americana, o câmbio euro/dólar está a reequilibrar, com o dólar a ganhar algum terreno. Ontem a moeda valia 1,4369 dólares, longe do máximo histórico atingido este ano, mas ainda bastante acima do valor registado exactamente há um ano (1,3605 dólares) Os empresários deverão ser assim menos penalizados pelo factor cambial o que poderá ser um contributo para a resistência da economia da zona euro.

Mas a conjuntura está marcada por muita incerteza e os economistas estão divididos quanto à evolução da economia. “O crescimento poderá retomar já no final deste ano, com o alívio dos preços do petróleo”, defende James Nixon. “O crescimento foi afectado de modo mais severo do que o esperado”, contrapõe, por seu lado, Steve Webster. De qualquer modo, a tendência é de um período alongado de crescimentos fracos.

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