Edição Impressa - Empresas

Telecomunicações 2008-05-16 00:05

Deutsche Telekom pressionada a arranjar parceira

A France télécom é a favorita de Berlim para liderar o processo de concentrações na Europa.

Cristina Krippahl, em Colónia e Alda Martins

A Deutsche Telekom e a France Télécom estão na lista da agência Moody’s, divulgada esta semana, como possíveis consolidadoras do sector das telecomunicações europeias, caso a crise nos mercados financeiros diminua nos próximos dois anos.

O relatório da Moody’s surge na mesma semana em que alguns jornais alemães dão conta que o Governo de Berlim quer que Deutsche Telekom encontre novos caminhos para o crescimento, que podem passar por uma parceria ou compra da operadora histórica francesa ou da norte-americana Sprint Nextel.

Apesar, do Ministério das Finanças em Berlim ter ontem desmentido a imprensa alemã, continuam a circular notícias de que os accionistas querem que a Deutsch Telekom seja mais agressiva na expansão nos mercados europeus e dos EUA.

Juntas, Deutsch Telekom e France Telécom, valem mais de 100 mil milhões de euros, um pouco acima dos 92 mil milhões da terceira gigante da Europa, a espanhola Telefónica. Os analistas acreditam que uma aproximação entre Berlim e Paris levantaria muitos desafios regulatórios e organizacionais (ver análise). Mas o relatório da Moody’s chama à atenção para o facto da Europa ter que seguir o caminho que já seguiram, há dez anos, os EUA. Numa altura em que os operadores históricos se reinventam nos mercados domésticos, pressionados pela concorrência e pela convergência de serviços, o crescimento orgânico não funcionará a médio prazo na velha Europa. Será preciso entrar em mais mercados, comprar os mais pequenos ou criar parcerias internacionais.

René Obermann, presidente da Deutsche Telekom, prometeu aos accionistas a continuação da expansão internacional e salientou que, em 2007, pela primeira vez, 50% da facturação da Telekom foi feita no exterior. Mas a única acção concreta anunciada foi a aquisição da grega Hellenic-Telecom (OTE), algo já tido como certo há bastante tempo.

O Estado alemão detém cerca de 15% das acções do antigo monopolista germânico (31,7% juntamente com o banco estatal de desenvolvimento KfW), que há muito planeia alienar. O que o impediu, até à data, foi o fraco desempenho da gigante das telecomunicações em bolsa. Mas ontem o Governo, assim como o segundo maior accionista da empresa, o fundo de investimentos norte-americano Blackstone, fizeram questão em apoiar ostensivamente o presidente-executivo da Telekom, René Obermann. O grau de satisfação da Blackstone não pode, no entanto, ser muito elevado, uma vez que em Abril de 2005 adquiriu 4,5% das chamadas "acções T" por 14 euros. Desde então o valor caiu para 11,66 euros. A insatisfação é partilhada por todos os investidores, que não vêem retorno desde a cotação na Bolsa de Valores em 1996, quando a "T-Aktie" foi vendida por 14,6 euros.

O relatório da Moody’s surge na mesma semana em que alguns jornais alemães dão conta que o Governo de Berlim quer que Deutsche Telekom encontre novos caminhos para o crescimento, que podem passar por uma parceria ou compra da operadora histórica francesa ou da norte-americana Sprint Nextel.

Apesar, do Ministério das Finanças em Berlim ter ontem desmentido a imprensa alemã, continuam a circular notícias de que os accionistas querem que a Deutsch Telekom seja mais agressiva na expansão nos mercados europeus e dos EUA.

Juntas, Deutsch Telekom e France Telécom, valem mais de 100 mil milhões de euros, um pouco acima dos 92 mil milhões da terceira gigante da Europa, a espanhola Telefónica. Os analistas acreditam que uma aproximação entre Berlim e Paris levantaria muitos desafios regulatórios e organizacionais (ver análise). Mas o relatório da Moody’s chama à atenção para o facto da Europa ter que seguir o caminho que já seguiram, há dez anos, os EUA. Numa altura em que os operadores históricos se reinventam nos mercados domésticos, pressionados pela concorrência e pela convergência de serviços, o crescimento orgânico não funcionará a médio prazo na velha Europa. Será preciso entrar em mais mercados, comprar os mais pequenos ou criar parcerias internacionais.

René Obermann, presidente da Deutsche Telekom, prometeu aos accionistas a continuação da expansão internacional e salientou que, em 2007, pela primeira vez, 50% da facturação da Telekom foi feita no exterior. Mas a única acção concreta anunciada foi a aquisição da grega Hellenic-Telecom (OTE), algo já tido como certo há bastante tempo.

O Estado alemão detém cerca de 15% das acções do antigo monopolista germânico (31,7% juntamente com o banco estatal de desenvolvimento KfW), que há muito planeia alienar. O que o impediu, até à data, foi o fraco desempenho da gigante das telecomunicações em bolsa. Mas ontem o Governo, assim como o segundo maior accionista da empresa, o fundo de investimentos norte-americano Blackstone, fizeram questão em apoiar ostensivamente o presidente-executivo da Telekom, René Obermann. O grau de satisfação da Blackstone não pode, no entanto, ser muito elevado, uma vez que em Abril de 2005 adquiriu 4,5% das chamadas "acções T" por 14 euros. Desde então o valor caiu para 11,66 euros. A insatisfação é partilhada por todos os investidores, que não vêem retorno desde a cotação na Bolsa de Valores em 1996, quando a "T-Aktie" foi vendida por 14,6 euros.


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