Uma fusão entre a France Télécom e a Deutsche Telekom enfrentará enormes desafios. Primeiro, o envolvimento dos governos alemão e francês poderá obstruir o negócio logo desde o início. E mesmo no caso improvável de uma das partes aceitar ser subserviente, a Global Insight espera que a discussão se concentre na dimensão da empresa resultante. Isto porque o negócio das duas empresas é redundante em várias geografias, devido às recentes aquisições e movimentações de ambas. São os casos da Áustria, Polónia, Eslováquia e Reino Unido (e ainda a Roménia, quando a Deutsche Telekom tomar controlo da OTE). Portanto, ainda que as sinergias nos mercados onde não operam em simultâneo sejam substanciais, os reguladores terão argumentos muito fortes para impedir a fusão nestes cinco mercados onde há sobreposição.
O que poderá ser ainda mais perigoso aos olhos dos reguladores é que esta fusão retira do mercado protagonistas essenciais na actividade de fusões & aquisições da Europa. Por outras palavras, a eliminação da Deutsche Telekom ou da France Telecom do cenário irá deixar menos ‘telecoms’ europeias capazes de participar no mercado global de fusões & aquisições. Se estas preocupações ganharem apoio político, é pouco provável que as negociações continuem - embora as operadoras possam argumentar que o tamanho da empresa combinada lhes permitirá ter escala no mercado global. Todavia, havendo exemplos quase anedóticos de como fusões gigantescas como esta correram no passado, acreditamos que tal colosso será extremamente difícil de organizar e gerir.
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