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Finanças Pessoais 2008-03-28 00:05

Aventura no Afeganistão termina com criação de uma agência de publicidade

Três franceses mudaram-se para Cabul e criaram a maior agência de publicidade do país.

António Sarmento

Para três empresários franceses a vida em Cabul, capital do Afeganistão, é um sonho. Melhor do que em Paris. É o local perfeito para ganhar dinheiro, fazer esqui e comer fruta saborosa. Emmanuel de Dinechin, Rodolphe Baudeau e Eric Davin criaram ali uma empresa de comunicação e publicidade, chamada Altai Consulting, que tem 20 clientes, entre os quais a Nestlé, a Unicef, a Western Union e a Virgin Drinks. “É bom ser publicitário no Afeganistão”, diz ao Diário Económico Emmanuel Dinechin, de 29 anos.

Trabalhar por gosto não cansa. Entram às 9h00 da manhã, saem às 20h00, e aproveitam o resto do tempo para se divertir. “Vamos para o ginásio e depois jantamos nos restaurantes que servem comida internacional. É claro que sentimos saudades dos queijos franceses mas, por outro lado, o Afeganistão tem frutas e vegetais fantásticos”, conta Dinechin.

Aos fins-de-semana a animação aumenta. Os fundadores da Altai deslocam-se para as regiões mais altas, a três horas de Cabul, para esquiar. Aqui, fazer uma lesão muscular ou partir uma perna pode não ser considerado falta de sorte. “A altura ideal para esquiar é entre Maio e Dezembro. Mas é preciso saber evitar os campos de minas”, explica Dinechin, de 29 anos, ao Diário Económico. Um passo em falso fora do trajecto seguro e as hipóteses de rebentar uma bomba debaixo dos pés são enormes. O futebol é outro dos desportos favoritos dos franceses, que costumam jogar com os empregados de outras multinacionais presentes no território.

A vida corre-lhes bem e a facturação da Altai cresce a bom ritmo. Entre 2005 e 2006, os lucros da empresa subiram de 3,3 para 4,1 milhões de euros. “As companhias presentes no Afeganistão precisavam de empresas de publicidade. Havia caminho para desbravar”, afirma Dinechin. Alguns membros da Altai já eram veteranos nestas andanças. Rodolphe, de 33 anos e Eric, com a mesma idade, são os elementos que melhor conhecem Cabul. Foram para lá em 2001, quando montaram uma empresa de media para dar formação aos jornalistas afegãos. Dinechin chegou mais tarde. “Conheci-os em 1999, durante uma viagem de mochila às costas pelo Tibete. Mais tarde, quando soube que eles trabalhavam aqui vim logo para cá. Sempre tive um fascínio muito grande por este país”, conta.

Em 2004, nasceu a Altai e o primeiro cliente foi a Roshan, a maior companhia de telecomunicações do país. A partir dai, nunca mais pararam. Hoje em dia, além dos empregados que trabalham na sede, têm uma equipa de pesquisadores afegãos, que percorrem todo o território em busca de novos clientes. Os três amigos não moram numa casa. Eles, juntamente com outros 25 empregados da Altai oriundos de diversas nacionalidades, vivem numa pensão. “A única preocupação que temos é a de não viajar durante a noite”, explicam. A confiança é tanta que nenhum deles quer voltar para França.


Números

-  Em 2003, fundaram a Altai Consulting e começaram com um capital de 50 mil euros. “Em França essa quantia não dava para nada”, dizem. Por isso, foram para o Afeganistão.

-  A Altai Consulting tem actualmente 175 empregados: 25 são emigrantes e 150 naturais do Afeganistão, que viajam pelo país inteiro em busca de novas oportunidades de negócio.

-  No espaço de um ano os lucros cresceram de 3,3 para 4,1 milhões de euros. Em 2008 esperam crescer entre 7 a 10%.

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