Edição Impressa - Finanças

Finanças Pessoais 2008-04-18 00:05

Poupar é preciso

“Os anos aproximam-se silenciosamente” - Ovídio

Alexandre Narciso

O envelhecimento da população europeia, fruto do aumento da longevidade e da diminuição da taxa de natalidade exerce uma enorme pressão sobre os sistemas de segurança social por toda a Europa, sendo que Portugal não é excepção. A lógica do problema é simples. Com o envelhecimento da população o número de pessoas que trabalha e faz descontos diminui, sendo que por outro lado aumenta o número de pessoas reformadas que vivem desses mesmos descontos. Em resposta a este problema, a maior parte dos países europeus já aumentou e planeia aumentar mais ainda a idade oficial da reforma, tendo também reduzido os benefícios das pensões. Ora se as pensões vão ser mais baixas e se queremos manter o nosso nível de vida na idade da reforma, vamos ter de depender das nossas poupanças. Portanto é imperativo poupar e o melhor dia para o começar a fazer é… hoje. Porquê? Porque um dos erros mais típicos, no que à poupança para reforma diz respeito, é pensar que basta começar a poupar quando falta 5 ou 10 anos para a reforma. É que em tão curto espaço de tempo é difícil poupar e capitalizar o suficiente para fazer face a todas as despesas que teremos durante a nossa velhice.

E são várias as soluções disponíveis no mercado para constituir um bom plano de poupança para a reforma. Uma das mais atraentes é investir num Fundo de Pensões, pois permite-nos constituir um complemento de reforma a partir de mínimos de investimento reduzidos (25 euros mensais), tornando-se acessível a todas as bolsas. Adicionalmente apresentam benefícios fiscais aliciantes (20% dos valores aplicados durante o ano são dedutíveis no IRS de acordo com os limites legais) e são reembolsados na data por nós escolhida para iniciar a reforma (desde que após os 55 anos e com um prazo de investimento de 5 anos). Outra vantagem é, que no caso de surgirem imprevistos (como seja desemprego de longa duração ou invalidez), podem ser reembolsados antecipadamente servindo assim também como uma reserva financeira para emergências.

Mas, como referi, existem várias soluções no mercado, cabendo ao aforrador decidir qual delas melhor se adequa ao seu perfil. O crucial mesmo é começarmos a poupar o quanto antes, de forma a usufruirmos de uma reforma tranquila e sustentável.
____

Alexandre Narciso, Direcção de Investimentos do Banco Best

Comentários
 
Poupar
" Produzir e poupar" era a recomendação do Prof. Oliveira Salazar.
 
miguel antines
e sendo eu um dos maiores criticos de Salazar, e achar uma vergonha considera-lo o "maior" homem de Portugal porque apesar de tudo era um ditador, neste ponto estava correcto e como, e muito bem, diz o escritor cada vez essa "recomendação" é correcta
 
Africano
A ideia é boa.Já os antigos, quando não havia se gurança social e quando eram trabalhadores do campo tinham um pé de meia.Alguns compravam propriedades, os que tinham algumas posses e que utilizavam os filhos como mão de obra como aconteceu na minha geração, para terem na velhice possibilidade de se autosustentarem se viesse alguma doença. Mas os que conheci na minha aldeia natal morreram a trabalhar nos campos, ou seja ainda no activo. Hoe a situação é diferente já que as pessoas se amontoam nas cidades e não têm campos para trabalhar e outros n~em saúde têm se tal fosse possível. As pequenas quintinhas camarárias cultivadas nas bermas de Lisboa desapareceram e deram lugar a grandes empreendimentos urbanísticos e outros a licheiras como acontece no Bairro Económico das Terras do Forno(Bairro de Belém).Mas também me questiono sobre a poupança quando os que poupam (que têm alguma capacidade para isso e refiro-me à classe média) se veem espoliados peo próprio Estado como acontece com os Certificados de Aforro. Se calhar é melhor gastar à vontade, passear, comer fora etç pois que na velhice haverá sempre um rendimento mínimo garantido ou pensão social. Eu cá por mim continuarei a poupar um pouco, porque tenho ainda, felizmente, alguma possibilidade económica e porque a minha educação foi sempre nesse sentido de acautelar o futuro. Mas continua na incerteza de qual o melhor meio de valorizar as minhas pequenas poupanças.Certificados de Aforro é que não quero mais, obrigado.
 
Lopes
A meu ver o estado apoia muito pouco a poupança. 20% de deduções no IRS parece-me claramente pouco. Porem o autor tem razão, com esta ultima reforma da SS se não pouparmos quando chegarmos a velhos vai ser bonito vai.
 
 
envie o seu comentário
 
nome:
email (opcional):
comentário:
Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

Publicidade

Edição Impressa (em PDF)



Versão PDF: 8,64 MB

Clique na imagem acima para aceder ao DE
em formato PDF.

Apenas por 1 Euro poderá descarregar
directamente para o seu computador
a edição integral do Diário Económico.

Envie um sms com a palavra ‘depdf’
para o número 4434 para obter a sua password
e nome de utilizador.

Venda válida apenas para linhas telefónicas portuguesas.

[an error occurred while processing this directive]