Edição Impressa - Finanças

Finanças Pessoais 2008-04-18 00:05

Antiguidades e selos passam para as mãos da CMVM

Para prevenir casos de fraude, a supervisão passa a ser feita pela CMVM.

Paula Alexandra Cordeiro

Foi preciso rebentar o escândalo dos selos da Afinsa e do Fórum Filatélico para a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) chamar a si a supervisão do investimento em bens tangíveis (selos, antiguidades e moedas). Também os fundos de investimento, como a Art Invest do Banif, estão sob a alçada da entidade de supervisão do mercado de capitais português.

Assim, o regime jurídico da comercialização de contratos de investimento em bens corpóreos (tangíveis), cuja tutela central é do Ministério das Finanças, estabelece o poder de supervisão da CMVM sobre “as actividades de oferta junto do público ou de comercialização, com carácter profissional, de contratos relativos ao investimento em bens corpóreos desenvolvidas, em território nacional, por quaisquer pessoas singulares ou colectivas”.

O diploma refere que as empresas que comercializem aqueles activos devem notificar a CMVM pelo menos 15 dias antes de iniciarem a sua actividade.

“Devem [as empresas em questão] informar a CMVM com regularidade sobre o número de clientes e sobre as responsabilidades perante os mesmos”, adianta uma nota da entidade de supervisão do mercado de capitais.

As sociedades que se inserem nesta actividade terão que apresentar contabilidade organizada e estão sujeitas à certificação legal de contas.

O regime procura precaver situações de falência e fraude, como aquela que alegadamente se deu com a Afinsa e o Fórum Filatélico, deixando milhares de investidores, portugueses e espanhóis, em risco de perderem as suas poupanças.

A mesma lei estabelece a obrigatoriedade de fornecer aos clientes toda a documentação relativa à transacção em causa e dá-lhe o direito de cancelar unilateralmente a relação comercial com a empresa, no prazo de oito dias e sem necessitar de qualquer justificação.

“A CMVM poderá exigir às entidades comercializadoras a prestação de toda a informação que venha a ser considerada necessária para que os investidores possam avaliar continuamente o seu investimento”, pode ler-se no regulamente da entidade liderada por Carlos Tavares.

Na supervisão destes produtos, a CMVM poderá suspender ou proibir a comercialização de contratos de investimento em bens corpóreos, divulgar através do seu ‘site’ o nome das entidades que podem exercer a actividade e aplicar coimas entre 2.500 e 25 mil euros a estas empresas sempre que violem os deveres previstos na lei.

Comentários
 
mrrm
Ponham vinho nos cristais e uma boa caldeirada, sem batata, nas terrinas. Isto da CMVM ir até ao mobiliário dos antepassados deve ser para combater os perigos do próximo sub-prime. A vocação em avaliação de antiguidades deve mesmo ser profunda. Demoram anos a rever quem está no PSI-20, a plataforma para as PME anda em águas-de-bacalhau e este o grande anúncio. Que tal entrarem no século XXI? Talvez fosse melhor ideia. MMartins-Sintra
 
CMRA
É lamentável que só ao fim de 2 anos após a intervenção judicial sobre o Forum Filatélico e a Afinsa, haja uma entidade a regulamentar esta actividade. É lamentável o silêncio do Estado Português, que se colocou de parte. E foi necessário que estas empresas "desaparecessem" para ser criada a legislação. Com estas atitudes infelizmente continuaremos na cauda da Europa!
 
António Cruz
Eu só gostava de saber como é que está a situação das centenas de Portugueses que foram burlados pela Afinsa e Forum Filatélico, como é que é? Nunca mais se soube de nada?
 
comentários do tipo CMRA...
...nunca apontam o dedo aos prevaricadores! é sempre o "Estado" que tem de estar com atenção a tudo! Por este andar e com estas mentalidades há que haver um policia para cada português...feitas as contas 5 milhões de portugueses e 5 milhões de policias! Que mentalidade! Tudo isto só prova que somos um povo de golpistas!
 
portugueses burlados?
ou portugueses à procura de dinheiro fácil?
 
Luis Pires (leitepires@gmail.com)
Não creio que investir montantes elevados a uma taxa um pouco mais elevada, seja estar à procura de dinheiro fácil. É apenas uma entre várias opções possíveis. Não vi foi da parte do Governo Português à semelhança do que aconteceu em Espanha, a criar medidas para ajudar os lesados (que apenas o são porque o Estado não cumpriu o seu papel, para pelo menos atenuar as consequências deste escândalo.
 
José Gonçalves
Gostaria de saber como é que pode uma empresa como a Afinsa que estava á mais de 25 anos podia trabalhar na base da ilegalidade ,como é possivel.
 
 
envie o seu comentário
 
nome:
email (opcional):
comentário:
Os comentários enviados serão publicados após aprovação. O DE reserva-se o direito de não publicar comentários considerados como ofensivos ou sem ligação alguma ao artigo em questão

Publicidade

Edição Impressa (em PDF)



Versão PDF: 8,64 MB

Clique na imagem acima para aceder ao DE
em formato PDF.

Apenas por 1 Euro poderá descarregar
directamente para o seu computador
a edição integral do Diário Económico.

Envie um sms com a palavra ‘depdf’
para o número 4434 para obter a sua password
e nome de utilizador.

Venda válida apenas para linhas telefónicas portuguesas.

[an error occurred while processing this directive]