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Finanças Pessoais 2008-04-18 00:05

Investir em arte para fazer um bom negócio

Para conseguirem bons retornos os investidores devem estudar o mercado. Conheça as dicas dos especialistas que fazem da arte um negócio.

Paula Alexandra Cordeiro

Quadros de Picasso, Monet, Matisse, ou até dos portugueses Paula Rego ou de Julião Sarmento, não passam despercebidos para quem gosta de apreciar algumas das mais belas peças de arte do mundo. Mas o envolvente mundo da arte não se fica pela simples apreciação de uma pintura. Existem investimentos que requerem muita arte para serem rentáveis.

Qualquer investidor pode entrar no negócio da arte, com o objectivo de diversificar o seu ‘portfolio’, mas tem que estar disponível para perder muito, mas muito tempo a estudar as potenciais aplicações.

“Com 1.000 ou 1.500 euros um investidor pode entrar neste mundo [da arte]”, afirmou ao Diário Económico a ‘art adviser’ Maria Pia Diniz, que actualmente tem ligações à Assembleia da República.

Consultores em arte, contactados pelo Diário Económico, aconselham os investidores a visitar galerias (para arte contemporânea), antiquários (para arte  antiga), ter uma  relação privilegiada com o galerista/antiquário, recolher o máximo de informação, nomeadamente preços, consultar catálogos, ir a leilões e ter, como não podia deixar de ser, aconselhamento especializado.

Maria Pia Diniz realça que uma das principais preocupações deve ser: “Para ter rendimentos é preciso esperar mais de cinco anos. É muito difícil [obter bons retornos] antes disso”.

O professor Delfim Sardo,  que preside ao conselho consultivo do fundo de arte do Banif Investimento,  adianta que, actualmente, existe um grupo de pessoas capazes de aconselharem os investidores em arte. “Há formação. Um mestrado de curadoria, em Lisboa e Porto. A arte é um mercado muito pessoalizado”, adiantou o mesmo em declarações ao Diário Económico.  

Jean-Pierre Blanchon, autor do livro ‘Cotação de Artistas Portugueses em Leilão’, diz que na arte, como nos investimentos, as pessoas têm que se rodear de quem percebe do negócio. “Se não o fizerem podem ser enganadas”, alerta.

Tanto Delfin Sardo, como a ‘art adviser’, reforçaram a necessidade dos potenciais investidores em arte contemporânea visitarem muitas galerias. Para quem quiser tirar partido do investimento em arte também deve ter em linha de conta a presença das galerias a nível internacional. A cotação do artista pode sofrer variações importantes. “Por exemplo, o José Malhoa é um pintor português muito conhecido, mas a nível internacional não tem cotação”, afirmou Maria Pia Diniz.

Na última feira de arte, que decorreu em Madrid, estiveram presentes 13 galerias  portuguesas. Esta presença é importante para a cotação de alguns artistas.

“O mercado de arte está a profissionalizar-se. Os catálogos são bem explicados, com todas as condições de transacção”, revelou. “O mercado português começa a sofrer uma volta importante para ficar a par do mercado desenvolvido a nível europeu e norte-americano”, acrescentou.

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