Edição Impressa - Finanças

Finanças Pessoais 2008-05-02 00:05

Sonae Capital resiste à crise nos primeiros três meses em bolsa

Turismo e novas parcerias são argumentos que levam os analistas a recomendar a compra.

Tiago Figueiredo Silva

Três meses passaram desde a entrada da Sonae Capital no mercado de capitais e, apesar do ‘timing’ de estreia não ter sido o ideal, o balanço não deixa de ser positivo.

Os títulos da empresa, que resultou do ‘spin-off’ com Sonae, arrancaram a 28 de Janeiro a valerem 1,57 euros, abaixo do preço de referência de 1,68 euros.

Belmiro de Azevedo, o homem que lidera agora os destinos da Sonae Capital depois de ter abandonado a ‘casa-mãe’ em Maio de 2007, reconheceu “a desilusão por não ter ocorrido o habitual efeito de entrada no mercado”.

Desde esse dia o comportamento em bolsa tem sido inconstante. Depois do fraco arranque, a Sonae Capital conseguiu recuperar algum terreno em Fevereiro, com os investidores a apostarem no título, que viria a atingir nesse mês um novo máximo histórico.

Contudo, a tão esperada recuperação dos mercados no curto prazo, elemento de suporte da acção, não aconteceu e a empresa viria a perder fôlego.

Os investidores acabariam, no entanto, por receber boas notícias.

Os lucros mais do que triplicaram em 2007 e com o objectivo de concentrar os negócios no turismo e na gestão de parcerias e participações, a empresa revelou a intenção de tornar o seu ‘portfolio’ mais focado através da alienação de activos.

A dona do Tróia Resort quer ser um parceiro activo e está motivada na clarificação do seu posicionamento nas parcerias existentes, não descartando novas associações como uma eventual ‘joint-venture’ para concorrer à concessão de aeroportos. Apesar de ter voltado a cotar nos 1,5 euros, a Sonae Capital poderá ser uma boa aposta tendo em conta que os ‘targets’ atribuídos superam os 2 euros.


O conglomerado visto à lupa

Os ‘drivers’ em bolsa
O facto do título negociar abaixo dos preços-alvo atribuídos pelos analistas tem levado os investidores a apostarem fortemente na Sonae Capital. A possibilidade de apresentação de bons resultados juntamente com a recuperação dos mercados, ainda que ligeira, poderão suportar o título.

Os riscos para 2008
A dependência no sucesso de vários projectos imobiliários aliada a uma possível significativa deterioração do clima de consumo, que poderá reduzir o apetite para a aquisição de casa própria, poderão gerar uma forte queda do número de unidades vendidas ou até mesmo no enfraquecimento das suas margens operacionais.

Os projectos na calha
A possível constituição de novas parcerias, incluindo uma eventual ‘joint-venture’ para concorrer à concessão de aeroportos, e a concentração de negócios em duas ‘sub-holdings’ (Sonae Turismo e Spred) são algumas das novidades apresentadas por Belmiro de Azevedo e que deverão marcar os destinos da empresa.

O que dizem os analistas
Comprar. É esta a palavra de ordem de todas as casas de investimento que iniciaram a cobertura dos títulos da Sonae Capital desde a sua estreia em bolsa a 28 de Janeiro último. Se as recomendações apontam na mesma direcção (‘comprar’), os preços-alvo atribuídos não são excepção e avaliam a empresa acima dos 2 euros.

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