Finanças Pessoais 2008-05-02 00:05
Prestação subiu quase 200 euros desde final de 2005
Desde que o BCE iniciou o ciclo de subida dos juros, a prestação mensal de um empréstimo de 150 mil euros ficou 30% mais cara.
Sandra Almeida Simões
No espaço de quase dois anos e meio, o custo do endividamento cresceu de 2%, o nível mais baixo dos últimos 60 anos, para os actuais 4%. O início do ciclo de subida das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) na Zona Euro, em Dezembro de 2005, e a escalada das Euribor - os indexantes mais recorrentes no cálculo dos créditos à habitação - traduzem-se em forte agravamento das prestações mensais.
O Diário Económico preparou vários exemplos que ilustram a repercussão destes indexantes no orçamento familiar dos portugueses. Uma família que tenha contraído um empréstimo à habitação de 150 mil euros, – a amortizar no espaço de 30 anos, indexado à Euribor a seis meses e com um ‘spread’ associado de 0,7% – pagou ao banco mais 194 euros devido ao aumento das taxas directoras e à subida da Euribor.
Em menos de dois anos e meio, a mensalidade passou de 657 euros para 851 euros, o que representa uma subida de 29,5%.
Por sua vez, para um empréstimo nas mesmas condições, mas associado a um ‘spread’ de 1%, a diferença ainda se aproxima mais dos 200 euros. No final de 2005, a prestação rondava os 682 euros, enquanto agora pesa cerca de 880 euros no orçamento familiar. Em termos anuais, traduz-se num agravamento de 2.372,16 euros, segundo a simulação feita pelo Diário Económico.
Em Dezembro de 2005, a média da Euribor a seis meses fixava-se nos 2,600%. Em Abril, após sucessivos recordes diários, a média atingiu o valor de 4,795%, o mais alto desde Dezembro de 2007, altura em que a média se situava nos 4,819%.
‘Spreads’ mais altos
Os sucessivos recordes Euribor retrata a instabilidade e os receios face à crise financeira. Com a falta de liquidez no mercado interbancário, o preço do dinheiro transaccionado entre os bancos está a aumentar. Isto porque, para além de as taxas Euribor funcionarem como indexantes no crédito à habitação, são também taxas interbancárias - juros cobrados entre os bancos para se financiarem.
Para além disso, os aumentos da Euribor, nos diferentes prazos, reflectem ainda a especulação em torno de um possível aumento dos juros na Zona Euro por parte da autoridade monetária já na primeira reunião de Maio, para travar as pressões inflacionistas.
Não é só a subida dos indexantes que pesa na mensalidade a pagar pelo consumidor. Os bancos nacionais estão actualmente mais restritivos na concessão de crédito do que nos últimos dois anos, altura em que despoletaram a chamada ‘guerra dos spread’, com margens até aos 0%. A contratação de um ‘spread’ competitivo ou até mesmo a sua renegociação tem hoje em dia critérios mais apertados. A relação comercial com o cliente e a subscrição de um vasto pacote de produtos e serviços do banco são factores que influenciam o desconto no ‘spread’.
Quando se iniciou a subida das taxas de juro do BCE, era fácil beneficiar de um ‘spread’ promocional de 0% ou de uma margem até 0,5%. Nos dias de hoje negociar um ‘spread’ abaixo dos 0,7% é uma tarefa cada vez mais complicada.
Casas mais caras em Maio
Perante este “retrato”, a taxa do crédito à habitação está já muito próxima dos 5,8%, para um empréstimo com ‘spread’ de 1%, enquanto no final de 2005 não ultrapassava os 3,6%.
Mas as más notícias não ficam por aqui. Com a subida da Euribor, a revisão do empréstimo em Maio representará um encargo adicional na carteira de muitos portugueses. Considerando o empréstimo a 30 anos, com base no indexante a seis meses, de 150 mil euros e com um ‘spread’ de 0,7%, a mensalidade subirá 15,55 euros face à última actualização, que decorreu em Dezembro.
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