Edição Impressa - Finanças

Finanças Pessoais 2008-05-02 00:05

Como pagar menos pela casa

Estratégias para poupar dinheiro no primeiro ano do empréstimo e proteger o orçamento familiar.

Catarina Craveiro

Se comprar casa é o desejo da maioria dos portugueses, pagar uma prestação mais baixa no início de vida do empréstimo começa a ser uma prioridade, já que as taxas de juro não param de subir. O objectivo de muitos é o adiar para mais tarde uma prestação maior com a habitação, para evitar constrangimentos imediatos no orçamento familiar, que tem sido inflacionado pelos efeitos da crise.

Para tal, os bancos criaram várias alternativas: o cliente pode optar por pedir um período de carência de amortização de capital (em que durante um determinado período de tempo paga apenas juros e não amortiza o empréstimo que pediu) e/ou optar pelo valor residual (transferir uma parte do empréstimo para o final do contrato).

A guerra dos ‘spreads’ entre os bancos deu assim lugar à actual luta pela prestação mínima. O Diário Económico desafiou dez bancos a apresentarem o produto que melhor se encaixa nesta situação, simulando um empréstimo de 150 mil euros, a amortizar num período de 30 anos, associado a um ‘spread’ de 0,7%. Para quem pretenda contrair um crédito à habitação, neste momento o Barclays tem a solução que lhe permite pagar menos nos primeiros 12 meses. Com esta opção poderá reduzir o valor das prestações iniciais através de carência de capital e reduzir o valor das restantes prestações, transferindo para o final do prazo até 30% do montante financiado. A instituição tem em marcha a Campanha Primavera, válida até 30 de Junho, a qual permite pagar 523,97 euros no primeiro ano. Finda a promoção, o valor ascende a 622,23 euros para quem subscrever este crédito.

Tudo é válido para angariar novos clientes para uma operação que permite aos bancos aumentar a fidelização. No entanto, “empurrar” para o final a maior prestação do empréstimo pode ter vantagens e desvantagens. Antes de optar por qualquer tipo de produto deve ter em conta o seu perfil e qual a oferta que melhor se adequa à sua situação financeira. Caso opte por um produto com carência de amortização de capital, esta pode ser uma solução com benefícios para quem esteja no início de carreira e ainda não tem uma condição financeira estável. Mas o Montepio deixa o alerta: “com a opção de carência a prestação é ainda mais baixa, mas após a carência, que por norma é um período curto, o valor da prestação torna-se muito superior à de um contrato com prestações constantes, podendo não constituir a opção mais interessante”.

Mas para quem esteja mais preocupado com o curto prazo, e actualmente queira ganhar algum fôlego financeiro, a possibilidade de passar para o fim do contrato uma parte do empréstimo (o valor residual) é outra das soluções oferecidas pela banca. Neste caso, pode ser mais cómodo no início, mas também tem custos acrescidos.

A prestação desce no arranque do empréstimo mas, na prática, o cliente paga juros sobre a totalidade do empréstimo e só amortiza, por exemplo, 70% do mesmo. Os restantes 30% terão de ser pagos no final do empréstimo e numa única prestação.

Dos bancos contactados, a solução do Deutsche Bank (sem carência de capital, mas com um valor residual de 35%) é aquela que apresenta a prestação mais alta no início. Mas a longo prazo a prestação mostra-se competitiva na comparação com as ofertas dos restantes bancos após o período de carência.

Comentários
 
Pedro
Como pagar menos pela casa? É fácil: ir ao site da DECO PROTESTE e fazer lá a simulação do crédito à habitação. Assim, não é preciso estar com muitas leituras e rapidamente e com confiança sabemos qual é a melhor opção para cada caso, neste momento.
 
CA
Os americanos também tinham muitos modelos de empréstimo que empurravam os pagamentos para o futuro. Só que o futuro já lá chegou e há muitos que se vêem agora com prestações que nunca imaginaram. Vamos pelo mesmo caminho aqui em Portugual?
 
ferreira
Como pagar menos pela casa!!??? de certeza? façam bem as contas...
 
Hugo
A minha perspectiva é: - Paguem o máximo que poderem agora e declarem tudo no IRS. As finanças são obrigadas a contabilizar o que devem devolver aos contribuintes, quanto mais melhor. Vão ver que os governos vão começar a fazer pressão no BCE e, consequentemente, pressão sobre os Bancos para baixarem Spreads e Euribores. Há mais variáveis nesta equação, mas tem que se começar por algum lado, não?!
 
jose ribeiro
E porque não consultar as empresas de aconselhamento ao credito; essas são independentes e fornecem soluções.
 
Santos
Pois é todos querem ser proprietarios,das suas casas mas os custos das mesmas poucos podem suportar, o mercado para arrendamento,tem muitas ofertas mais baratas,desde que queiram pagar o aluguer.
 
j. de almeida
Sigam os conselhos dos jornalistas económicos mas depois, quando forem à falência, não se queixem. Já agora, que tal a APEFI? Vejam o portaldapoupanca.com
 
anti
paguei a minha em 10 anos, com um empréstimo em divisas. Aliás quando fui à cgd e perguntei a prestação mensal disseram-me é tanto. Então multiplique lá o tanto por 12 e depois por 25. Queriam 65 mil contos por um empréstimo de 18 mil contos e mandei-os para um certo sítio. Em 1994. Não pago a pirâmide da av joão XXI nem os ordenados da cambada que se instalou. Quanto aos americanos atenção antes de se fazerem afirmações gratuitas. Com a taxa de juro em níveis de 1.5 % as mortgage lenders por ex a countrywide era só empréstimos a pessoas com rendimentos que não podiam sustentar uma subida das taxas, inevitável. O sistema financeiro que nada produz alimentou o crescimento artificial do consumo e todos viveram em festa. Tal e qual a formiga e a cigarra.
 
m.r.r.
Boa tarde, gostaría que alguém me informasse de uma situação. Estando a pagar 278 euros em período de carência pela casa, até Maio. Alguém sabe quanto se ficará a pagar depois do período de carência? Qual será a subida? Obrigado
 
 
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