Finanças Pessoais 2008-05-16 00:05
A baixa de preços no imobiliário
Há uma sobrevalorização dos preços em pelo menos quatro países.
José Santos Teixeira
Apesar da economia americana não estar em recessão, o seu sector imobiliário tem acusado não só volumes de transacção como preços em baixa.
Existia o sentimento que a Europa seria menos atingida por esta recessão, mas se tal é o caso na Alemanha de há muitos anos fora da “bolha”, tal não é verdade noutros países.
Com efeito, há uma sobrevalorização dos preços em pelo menos quatro países: de 32% na Irlanda, 28% em Inglaterra, 22% em França e 17% em Espanha.
O valor para Portugal não é determinado mas pensamos que além do “excesso dos preços”, estes são obviamente influenciados pela lei da oferta e da procura. E o “excesso da oferta” é de tal modo evidente que a correcção em baixa do imobiliário português nos parece inevitável (500.000 casas vagas), apesar do índice da construção civil ter subido cerca de 5% nos últimos doze meses, ultrapassando um pouco a inflação.
É que os preços subiram não pela pressão da procura “prevista”, mas devido às condições muito favoráveis dos empréstimos hipotecários que deixaram de ser baseados na capacidade de reembolso dos compradores, para terem como único critério o valor “atribuído” por peritos ao bem.
Apesar desta situação desfavorável para os promotores imobiliários, nomeadamente um período de subida das taxas de juro, não se prevê nenhum ‘crash’ imobiliário, mas sim ajustamentos graduais entre 3% e 8% de baixa nos próximos 12 meses, acompanhados de um aumento dos ‘stocks’ de invendáveis, dada a degradação da solvabilidade das famílias compradoras, que leva os bancos a exigências crescentes na concessão de créditos.
Assim, e apercebendo-se da tendência para a baixa, é normal que os compradores aguardem uma baixa dos preços e mesmo uma baixa das actuais taxas de juro.
Estas baixas deverão acontecer no início de 2009, pelo que se estiver comprador tem um ano para definir a sua compra e tomar a decisão adequada. Os ‘stocks’ não vão desaparecer.
Nesta decisão a localização (bons transportes) e as condições do empréstimo hipotecário são sempre fundamentais.
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José Santos Teixeira, Presidente da Optimize
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