Objectivo Venezuela - Dia 4 2008-05-16 00:05
Exportações para a Venezuela vão multiplicar dez vezes
O Grupo Lena vai construir entre mil a cinco mil habitações sociais em Caracas, num negócio que poderá ascender a 320 milhões de euros.
José Sócrates terminou a visita oficial à Venezuela com acordos assinados para 500 milhões de euros em exportações nacionais para a Venezuela. Até ao último minuto, a comitiva de 80 empresários esteve em negociações e foram assinados mais 11 acordos para a exportação de produtos agro-alimentares e medicamentos, que ascendem a 37 milhões de euros e uma carta de intenções que abre a porta à Lena Construções para construir entre mil a cinco mil habitações sociais na área metropolitana de Caracas ou noutras zonas do país que poderá ascender a 320 milhões de euros.
“São casas de habitação social pré-fabricadas, de qualidade elevada”, explicou ao Diário Económico, o ministro das Obras Públicas. Mário Lino, que acrescentou ainda que a tipologia das casas em questão serão T0, T1 e T2 e que se trata de replicar o modelo que a empresa já usa na República Dominicana.
Fazendo um balanço muito positivo da visita – recusando que ela fique marcada pela polémica de ter fumado no avião durante a viagem –, o primeiro-ministro lembra que os acordos assinados ao longo dos três dias vão permitir que a Venezuela passe a figurar entre os vinte parceiros comerciais mais importantes de Portugal, já que os 17 milhões de euros que Portugal exportou no ano passado vão ser multiplicados por dez.
Perante a crescente importância deste “país amigo”, como Sócrates caracterizou a Venezuela, o Governo tomou a decisão de instalar um delegado da AICEP em Caracas. Desta visita, as empresas levam ainda muitos encontros pré-agendados para que outros negócios possam fluir no âmbito ou não do acordo da Galp.
O futuro delegado da AICEP poderá ainda vir a desempenhar um papel importante, não só na promoção das exportações nacionais, mas também do investimento. “Ainda não estamos na fase de tentar captar investimento da Venezuela”, explicou Basílio Horta ao Diário Económico. O Presidente da AICEP explicou, porém, que “não será tanto de venezuelanos, mas de portugueses residentes no país”. Para tal, o programa NETINVEST, anunciado há mais de dois anos, mas que ainda não viu a luz do dia, será “fundamental”, reconheceu.
Entre os acordos ontem anunciados, está o das farmacêuticas Atral/Cipan, Bial, Generis, Tecnimede, Laboratórios Azevedos, Farma APS e Bluepharma para fornecerem medicamentos nos valor de 13 milhões de euros ao Ministério da Saúde Venezuelano. Este valor ficou contudo aquém dos 19 milhões de euros inscritos na Carta de Intenções assinada no dia anterior entre os ministérios da Saúde dos dois países.
Koch vence concurso
O consórcio luso-germano-venezuelano liderado pela Koch de Portugal e a Enelven, a energética estatal venezuelana, venceu o concurso público para o fornecimento de duas centrais de ciclo combinado na Venezuela. O investimento, que ascende a 600 milhões de euros já está decidido há meses, mas a assinatura do contrato deverá ocorrer nas próximas semanas, apesar de inicialmente estar prevista para ocorrer durante a visita de José Sócrates. Este investimento vai dar mais um impulso às exportações nacionais, já que as caldeiras serão importadas de Portugal. Este negócio foi conseguido através de concurso público e está, por isso, totalmente à margem dos acordos agora assinados.