Observatórios

Objectivo Venezuela - Dia 4 2008-05-16 00:05

Petróleo e segurança nacional

A dependência energética portuguesa tem várias consequências. Uma delas é a factura pesada que chega todos os anos.

São mais de 12 mil milhões de euros, diz Ferreira de Oliveira, presidente da Galp, sublinhando que sabe, porque passa “o cheque”. Uma forma de contrabalançar este desequilíbrio é tentar vender produtos aos países produtores de petróleo e gás, como a Venezuela, Angola, Líbia e Argélia. José Sócrates concorda e assume a responsabilidade de liderar a diplomacia económica com estes Estados para abrir portas. “O petróleo está caro, mas além de caro há outra questão: garantir as fontes de abastecimento. É uma questão de segurança nacional fazê-lo. Um Governo tem de avançar sem complexos e sem medo do politicamente correcto e dos juízos jornalísticos contrários.”

E os riscos de negociar com democracias frágeis ou, nalguns casos, inexistentes? Ferreira de Oliveira sorri. “No petróleo os nossos parceiros não são a Suíça ou a França. São países com características diferentes.” Basílio Horta, presidente da AICEP, a agência responsável por dinamizar as exportações portuguesas e o investimento estrangeiro em Portugal, lembra a política comercial dos Estados Unidos para enquadrar a opção de Portugal negociar com a Venezuela e Angola. “Não se esqueçam que a América continua a ser o principal cliente do petróleo venezuelano.” Ou seja, não há alternativa, apesar dos perigos evidentes, como o possível bloqueio comercial que George W. Bush ameaça desencadear já há alguns meses.

Mas sobram outros riscos, além da instabilidade política e das nacionalizações em curso, como a inflação galopante (15% em Setembro), a burocracia, as elevadas barreiras fiscais e a ineficência judicial. “Quem tem medo não sai de casa”, diz Sócrates. “É tudo uma questão de custo-benefício”, acrescenta Vera Pires Coelho, presidente da Edifer. “As coisas só podem melhorar daqui para a frente – junta Ferreira de Oliveira, para quem “é preciso que as empresas ultrapassem alguns dogmas e não se assustem com os problemas que existem.”

Sócrates fecha o assunto, lembrando os contactos feitos durante a Cimeira UE- -África. “Portugal hoje é visto como um país com alguma influência e contactos, por exemplo em Angola, mas não só. O presidente líbio, Muammar Kadhafi já me ligou duas vezes para falarmos sobre questões angolanas e também sobre outros países da região. Isso tráz benefícios para Portugal.” Quais? Vera Pires Coelho lembra o contrato ganho por uma empresa portuguesa para fazer uma obra de mais de mil milhões de euros na Líbia.

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