Edição Impressa - Politica

Oposição a Meneses 2008-04-21 00:05

Novo candidato à liderança do PSD pode surgir hoje

Ferreira Leite e Rui Rio continuam a ser os mais desejados, mas ambos estão reticentes.

Márcia Galrão

O grupo encabeçado por cavaquistas e barrosistas toma hoje uma posição na corrida à liderança do PSD. Manuela Ferreira Leite ou Rui Rio continuam a ser os dois nomes mais cobiçados pela chamada “terceira via do partido”, que quer apresentar-se às eleições directas com uma personalidade forte e capaz de unir um PSD desencontrado.

No entanto, a indefinição sobre a disponibilidade quer do autarca do Porto, quer da ex-ministra das Finanças de Cavaco continua a baralhar as contas. Segundo várias fontes social-democratas ouvidas pelo Diário Económico, Rui Rio não quer candidatar-se à liderança do PSD, acreditando que este ainda não é o momento certo para avançar. O seu apoio seria para Manuela Ferreira Leite. O problema é que, apesar de estar a ser pressionada por vários sectores para se candidatar, a ex-ministra das Finanças está reticente e preferia apoiar Rui Rio do que ter que tomar, ela própria, a iniciativa.

Perante tantas indecisões, o cenário final pode até passar pelo apoio de ambos a Aguiar-Branco. No entanto, a entrevista do advogado do Porto à “Visão” – onde anunciou a sua candidatura – acabou por furar os planos em marcha para que a terceira via se apresentasse em plena força com um nome de topo. O que estava previsto acontecer no final do Verão. As alas cavaquista e barrosista podem não lhe perdoar a iniciativa.

Perante um PSD destroçado e mergulhado numa crise que já dura há demasiado tempo, Ferreira Leite ou Rui Rio são vistos como os únicos capazes de unir e criar uma vaga de fundo que derrote Menezes (a sua candidatura ainda não está posta de lado) e que seja uma alternativa credível em 2009 contra Sócrates. Marcelo Rebelo de Sousa era outro dos nomes aguardados, mas o professor está distanciado destas lutas e não quis envolver-se na corrida eleitoral.

Do lado menezista, a incógnita é se o próprio Menezes aceita ou não recandidatar-se. Para já, o líder do PSD fechou qualquer porta, garantindo, em entrevista à Sic-Notícias, que não é candidato. O seu braço direito, Ângelo Correia, também diz que se ele “disse que não, é não, ponto final”. Mas os seus apoiantes mantêm-se mobilizados e o secretário-geral Ribau Esteves não tem perdido uma única oportunidade para dizer que ainda há esperança numa possivel candidatura de Menezes.

Se não for Menezes, o candidato mais consensual nesta ala é Pedro Santana Lopes. O antigo primeiro-ministro pediu mesmo aos seus deputados, na sexta-feira passada, para que não tomem posição sobre nenhuma candidatura até se saber quem vai a jogo, mantendo a hipótese de ele próprio ser a solução.

Na quarta-feira reúne o Conselho Nacional e até lá tudo deverá ficar definido - data das eleições, regulamento eleitoral e os candidatos.  Várias vozes do partido, incluindo Paula Teixeira da Cruz, Alexandre Relvas ou Pacheco Pereira, já vieram criticar o curto prazo dado por Menezes (dia 24 de Maio), mas caberá ao Conselho Nacional a última palavra. No limite, se o prazo for mesmo daqui a um mês, os candidatos podem sempre forçar um Congresso extraordinário anterior, como defendeu Aguiar-Branco.

Fora da corrida está Miguel Cadilhe. Depois do anunciado apoio de Alberto João Jardim, o ex-ministro das Finanças veio dizer que a sua “ajuda não é necessária”.


Cavaco ainda terá uma palavra a dizer
“Posso garantir que não falei com uma única pessoa sobre a crise no Partido Social Democrata”, disse Cavaco Silva, no sábado, durante a visita oficial à Madeira. Mas, mesmo sem falar, o Presidente da República continua a ter uma influência bastante grande nos vários cenários que se colocam à liderança do PSD. Muitos consideram até que não gostaria de ver a sua ex-ministra da Educação, e figura muito ligada ao seu passado e presente político, Manuela Ferreira Leite, assumir uma posição de destaque no PSD. Em Belém, o nome mais esperado é o de Rui Rio. Num artigo escrito no Diário Económico, em Dezembro, Maria João Avillez referia mesmo que o autarca do Porto era o “preferido de Cavaco” para assumir os destinos dos social-democratas e tentar derrotar Sócrates em 2009. O “Expresso” voltou a reafirmá-lo este sábado. Na sexta-feira, quando falou sobre a crise no PSD, Cavaco admitiu que, embora “o PR deva ser sábio para nunca se intrometer na vida interna dos partidos”, tem “uma opinião sobre a matéria”. E essa opinião é conhecida de várias personalidades ligadas ao PSD: Ferreira Leite seria um problema para Cavaco, porque, conhecida a ligação entre os dois, daria a ideia de que o Presidente estava a influenciar o maior partido da oposição. Com Rui Rio as coisas já seriam diferentes. Cavaco teria na liderança do PSD alguém ligado ao seu sector de apoiantes – sem ter com essa personalidade nenhuma relação especial que o conotasse com as políticas.


Os cenários em cima da mesa

1 - Ferreira Leite é o nome mais consensual no PSD, mas conta com “handicap presidencial”
Manuela Ferreira Leite é o nome mais consensual dentro do PSD. O Diário Económico sabe que a ex-ministra das FInanças está a ponderar, mas preferia ver avançar Rui Rio no seu lugar.  No caso de ser candidata, deita por terra as aspirações de Aguiar-Branco, que renunciará para a apoiar, e condiciona qualquer candidatura da ala menezista, uma vez que a sua posição neutral na época da luta Mendes/Menezes garante-lhe alguma simpatia naquele lado. Os 68 anos e a imagem de política austera, conotada com uma época de aperto de cinto em Portugal, pode, ainda assim, não lhe dar a margem de manobra ideal para ir à luta com Sócrates em 2009. O “handicap presidencial”, como referiu fonte deste grupo ao Diário Económico, pode também ser um motivo para ficar nos bastidores.

2 - Rui Rio resiste até à última, abrindo espaço para que Aguiar-Branco possa ser o candidato.
Apesar de não ser o nome mais popular entre as bases, para a ala cavaquista/barrosista seria o candidato ideal. A baralhar as contas continua a estar apenas a posição do autarca do Porto em não querer avançar, acreditando que este ainda não é o momento certo. Rui Rio não esconde que gostaria de terminar o mandato à frente da Câmara Municipal do Porto, preferindo, por isso, apoiar uma candidata como Manuela Ferreira Leite ou mesmo Marcelo Rebelo de Sousa. A sua amizade com Aguiar-Branco também é conhecida e na eventualidade de não aparecer nenhum outro candidato da terceira via, contará com o seu apoio. A pressão é muita. Várias pessoas próximas de Rui Rio reconhecem também que a possibilidade de este avançar tornaria praticamente certa a entrada na corrida de Luís Filipe Menezes, o que tornaria a luta mais difícil, dado o reconhecido poder de Menezes nas bases.

3 - Santana à espera que Menezes se decida, enquanto Gaia continua a postos para uma campanha.
Se Menezes mantiver a palavra e recusar mesmo recandidatar-se à liderança no PSD, deixa espaço para um candidato apoiado pela sua máquina. Santana Lopes é a alternativa mais falada. O próprio, segundo apurou o Diário Económico, deu indicações à bancada parlamentar que lidera para não tomar qualquer posição de apoio a qualquer candidato até ver quem avança do lado de Menezes, deixando em aberto que o seu nome é uma das soluções. Mas na corrida a estes apoios já surgem outros dois nomes: Neto da Silva, empresário do Porto, e Patinha Antão, vice-presidente da bancada. No entanto, o cenário de Menezes avançar continua muito forte. Ribau Esteves aposta na ideia de que há uma vaga de fundo de apoiantes a pedirem que o líder vá novamente a votos e os seus colaboradores em Gaia continuam a postos para uma nova campanha interna.


Pedro Passos Coelho, Ex-líder da JSD
Amigo pessoal de Ângelo Correia, o ex-líder da JSD foi o primeiro a assumir oficialmente uma candidatura. Garantiu que ela não depende de nenhum outro candidato e já conseguiu reunir apoios como o do barrosista Miguel Relvas ou do deputado Almeida Henriques.

José Pedro Aguiar-Branco, Deputado e ex-ministro Justiça
Com uma entrevista à “Visão” assumindo-se como alternativa, Aguiar-Branco fez Menezes pôr o lugar à disposição. Diz que vai trabalhar para concretizar a candidatura. No entanto, se Ferreira Leite ou Rui Rio avançarem, dar-lhes-á o seu apoio.

Neto da Silva, Empresário do Porto
Empresário do Porto e ex-secretário de Estado do Comércio, Neto da Silva é o rosto da ala menezista em contraponto com a candidatura de Aguiar-Branco. Só se manterá na corrida se Menezes mantiver a posição de não avançar. 

Patinha Antão, Deputado
Deputado e ex-secretário de Estado da Saúde, Patinha Antão afirmou ontem ao Diário Económico que a sua candidatura “é irreversível” e não está dependente da de nenhum outro candidato, nem mesmo de Luís Filipe Menezes.

Comentários
 
NapoLeão
A coisa...está divertida. É pena é não haver uma "casa de apostas". MFLeite candidata ? Mas candidata para fazer o quê ?
 
FS (xsaldanha@oniduo.pt)
È espantoso verificar a desorientação e a incapacidade para tomar decisões que existe á volta dos possíveis lideres do PSD para se apresentarem como próximo responsavel do partido. O que parece é que na verdade ninguem quer ir para esse lugar.Mas porquê?Na minha opinião , é porque o momento é de francas reformas nacionais , que vão levar alguns anos a fazer porque têm de ser feitas, e porque aos poucos e poucos o povo português vai autorizando que sejam feitas sem buzinões e ou outras coisas , fazendo manifestações mais tipo passeios com pic-nic. Reformas que irão desgastar por completo o PS , porque foi o PS que assim o entendeu fazer e fê-lo á moda do PSD, ou seja , reformas barradas com algum neoliberalismo , segundo reza a esquerda toda , que não é suposto pactuar com essas políticas.È pois assim que os lideres do PSD vão aguardar mais uns 3 ou 4 anos para depois então tomarem uma decisão?
 
A. ÁLVARO DE SOUSA (alvarodesousa@sapo.pt)
Não me parece que os críticos que alegam, que o prazo anunciado para a eleição do novo líder do PSD é curto, tenham razão. Tê-la-ão se LFM se recandidatar, caso contrário todos terão as mesmas condições para sensibilizar os militantes para a bondade das suas propostas. É que, se o prazo fosse mais largo, não faltariam vozes queixosas de que com eleições à porta (2009)o eleito não teria tempo de fazer uma oposição credível, capaz de retirar ao PS a maioria, argumentário que serviria que nem uma luva para os querem manter a imagem de notáveis dentro do partido mas que sabem não ser este o timing adequado para assumirem a presidência do partido. Nesta perspectiva LFM tomou a decisão acertada no tempo certo e só andará mal se der ouvidos a quem o queira ver continuar a arder na fogueira que o levou a renunciar.
 
LM
Isto mais parece um curral de porcos, onde todos querem chegar primeiro á pia, não para fazer nada de bom, mas para encher a pança, marimbando-se para o Zé, porque não se lhes são conhecidas acções ou qualidades para isso.
 
ze povinho (jpo@gmail.com)
O Povo não quer na politica Manuela Ferreira Leite. -O Povo tem bem na memoria os sacrificios que a incompetente incutiu na sociedade portuguesa e foi a primeira a destruir o que está totalmente sem reparaçao. Mentes velhas estao cheias de acidentes vasculares em qualquer pessoa. E mentes que pensão como a da Manuela Ferreira Leite, pensam já muito mal, porque se pensassem ainda com Lucidês, ela propria dizia não, mas sim a mentes novas e competentes que tem muito vigor e sensatez social e humanitaria.
 
 
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