Internacional - Economia

EUA 2007-11-19 11:31

Relatório alerta para maior risco de recessão nos EUA

Os Estados Unidos enfrentam um maior risco de recessão devido à crise do mercado imobiliário e às restrições de crédito e, em 2008, a sua economia crescerá 2,6%, abaixo das anteriores previsões, segundo um relatório divulgado hoje pela National Association for Business Economics (NABE).

Rita Paz

Com apenas cinco páginas, o relatório serve como uma espécie de radiografia do possível rumo da economia americana, a curto e longo prazos, caso sejam mantidas as tendências actuais.

O relatório, que se baseia no consenso de 50 analistas, oferece uma previsão pouco animadora para o último trimestre de 2007, no qual estima um crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto) de apenas 1,5% para o período entre Outubro e Dezembro.

Se os analistas acertarem a sua previsão sobre o PIB - que serve de termómetro da economia nacional -, o crescimento no último trimestre de 2007 contrastará com a robusta taxa de crescimento do terceiro trimestre, entre Julho e Setembro, de 3,9%.

"O relatório assinala que a recessão é um resultado pouco provável, embora os analistas também reconheçam que há um risco maior" desse fenómeno, explicou Melissa Golding, porta-voz da Nabe.

A maioria dos analistas financeiros ouvidos considera que o risco de uma recessão no próximo ano é de menos de 30%, enquanto que uma minoria crê que este risco supera os 50%.

De acordo com os analistas, os factores detonantes da recessão, caso se concretize, serão, principalmente, as sequelas do enfraquecimento do mercado imobiliário e as restrições no sector de crédito, que diminuem o acesso a empréstimos com juros baixos.

Os analistas, entrevistados entre 22 de Outubro e 6 de Novembro, modificaram as suas anteriores projecções e agora antecipam que, entre o último trimestre de 2007 e o último trimestre de 2008, o PIB possa crescer 2,6%, quando em Setembro, tinham previsto que o PIB pudesse crescer 2,8% no próximo ano.

De qualquer maneira, o crescimento do PIB para 2008 superará a taxa de 2,4% que os analistas projectaram para o ano corrente, segundo o relatório "Previsões do Nabe de Novembro de 2007", que está disponível a partir de hoje no site do organismo.

Os analistas reviram em baixa as suas projecções em todos os principais sectores da economia para 2008, salvo as exportações líquidas e os gastos fiscais.

No entanto, os economistas acreditam que o dólar recuperará face ao euro, divisa que alcançará uma cotação média de 1,41 dólares no próximo ano.

Os analistas consideram também que o preço do petróleo cairá de 90 dólares por barril no fim de 2007, para 75 dólares por barril no final de 2008.

Embora seja menos severa que uma depressão, uma contracção económica pode ter um "efeito dominó", que atingiria de Wall Street a fábricas e supermercados.

Por isso, as autoridades têm medo agora que os consumidores, receosos em relação a uma possível recessão, reduzam as suas despesas durante o período do Natal.

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