Internacional - Economia

EUA Crise de crédito 2008-05-19 11:24

Bancos escondem amortizações no valor de 35 mil milhões de dólares

Os bancos e empresas financeiras, afectados por perdas recorde que resultam do colapso do mercado de créditos hipotecários de alto risco norte-americanos (denominado de 'subprime'), não estão a reconhecer nos seus resultados pelo menos 35 mil milhões de dólares (22,4 mil milhões de euros) em amortizações adicionais que estão incluídos nos relatórios enviados às entidades reguladoras, noticia a agência Bloomberg.

Pedro Duarte

Segundo a Bloomberg, que cita os relatórios apresentados pelas instituições financeiras à entidade reguladora dos mercados dos EUA (a SEC), no seu relatório trimestral a este organismo o norte-americano Citigroup subtraiu dois mil milhões de dólares (1,28 mil milhões de euros) do seu valor accionista devido à quebra do valor das obrigações garantidas por créditos hipotecários, mas não mencionou esta dedução do seu relatório de resultados nem na conferência com os investidores que se seguiu a este.

Já o holandês ING Groep colocou 3,6 mil milhões de euros de avaliações negativas na sua conta de capital, ao mesmo tempo que apresentou um abate ao resultado de apenas 80 milhões de euros.

Estes ajustes às contabilidades surgem em adição aos 344 mil milhões de dólares (220 mil milhões de euros) em amortizações de activos e perdas relacionadas com o crédito malparado que já foram apresetnados nos relatórios de resultados de mais de 100 bancos. Estas instituições já conseguiram obter 263 mil milhões de dólares (168,7 mil milhões de euros) de financiamento a partir de aumentos de capital subscritos por fundos soberanos, os seus próprios governos e investidores públicos, de modo a escorarem os respectivos capitais. Ao adicionar estes novos 35 mil milhões de dólares, os bancos têm agora pelo menos perdas no montante de 116 mil milhões de dólares (74,4 mil milhões de euros) para recuperar.

"Os mais inteligentes são aqueles que identificaram os problemas, apresentaram-nos com total transparência e trataram do problema através de aumentos de capital", explicou à Bloomberg um gestor de fundos da Holland & Co.

Este especialista alertou ainda para o facto de "ainda existirem milhares de milhões de dólares em porcaria por aí, e que ainda não foram reportados pelo sistema. Os bancos precisam de mais capital para solucionar todos os problemas".

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