Internacional - Economia

Com regras mais restritivas dos empresários do BCE 2008-09-05 10:00

Custos de financiamento dos bancos do Reino Unido, Espanha e Irlanda vão subir

Os bancos do Reino Unido, de Espanha, e da Irlanda que passaram a recorrer permanentemente ao financiamento do Banco Central Europeu (BCE) para obter financiamentos a baixo custo, vão ter de pagar mais pela cedência de liquidez, depois de a autoridade monetária da zona euro ter apertado as regras dos empréstimos.

Eudora Ribeiro

Entre as medidas, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet revelou que a autoridade monetária vai aumentar o intervalo entre o valor real das obrigações colaterizadas, que são normalmente dadas como garantia, e o montante que poderá ser emprestado, de modo a evitar o aproveitamento das instituições financeiras afectadas pela crise financeira de crédito hipotecário de alto risco que emergiu em Agosto do ano passado. As novas regras terão efeitos a partir de 1 de Fevereiro de 2009.

“É um alerta do BCE à disciplina dos bancos”, disse à Bloomberg Tomas Varela, chefe do departamento financeiro do Banco Sabadell, o quarto maior banco espanhol, que tem cerca de 5 mil milhões de euros de activos que vão passar a valer menos a partir do dia 1 de Fevereiro de 2009 com as novas regras do BCE.

“É um sinal para a indústria financeira começar a abrir rotas mais normais para conseguir liquidez”, sublinhou.

Note-se que o BCE aceita uma maior diversidade de garantias dos empréstimos do que a Reserva Federal (Fed) ou o Banco de Inglaterra (BoE), incluindo activos garantidos por instrumentos financeiros, e só na semana passada, a autoridade monetária da zona euro emprestou 467 mil milhões de euros aos bancos que realizam operações nos 15 países da zona euro.

Ontem, os títulos dos bancos espanhóis e britânicos registaram as maiores perdas do ano nas bolsas europeias, depois de conhecida a imposição de restrições ao financiamento. As acções do HBOS, o maior credor de créditos hipotecários do Reino Unido, caíram 7% e o Barclays, o terceiro banco britânico que concede mais empréstimos, perdeu 6%.

Note-se que os bancos britânicos, que normalmente não poderiam ter acesso aos empréstimos do BCE porque o Reino Unido não pertence à zona euro, têm conseguido acesso aos fundos da autoridade monetária europeia através das subsidiárias que detém no território dos Quinze, como é por exemplo caso do HBOS, que se tem refinanciado junto do BCE através das suas operações na Irlanda.

Estes bancos declinaram comentar a decisão do BCE ou mesmo dizer quanto é que a autoridade monetária da zona euro já lhes emprestou.

Em Madrid, o Banco Sabadell caiu 3,2%, o Banco Santander, o maior banco espanhol, afundou 4% e o Bankinter recuou 5,3%. Atente-se que ao longo deste ano, os empréstimos do BCE aos bancos espanhóis aumentaram 10,8% contra o crescimento de 4% no ano passado, e de modo semelhante, até ao mês de Julho, os empréstimos aos bancos irlandeses mais do que duplicaram para os 44,1 mil milhões de euros, em relação a 2007, de acordo com o Banco Central da Irlanda, citado pela agência noticiosa.


Comentários
 
ALVES (bocamolle@hotmail.com)
...e adivinhem quem vai pagar esses mesmos custos no final!? O Zé!!Esta C.E.E. é um espectaculo! Não sei por quê mas parece-me, da maneira que vejo isto, a proxima grande guerra será na Europa e será de novo uma reconquista...mas agora da independencia nacional ou até regional!!
 
 
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