Internacional - Economia

Tal como a dívida do país 2008-10-10 15:20

Custo do combate dos Estados Unidos contra a crise não pára de aumentar

Os especialistas notam que a actual crise financeira global que está a assustar os investidores poderá fazer aumentar o défice orçamental de uma forma mais grave do que a que os peritos tinham previsto há algumas semanas, sendo possível que este atinja em 2009 os 2 biliões [2 000 000 000 000] de dólares (1,47 biliões [1 470 000 000 000] de euros).

Eudora Ribeiro

Nos Estados Unidos, o berço da crise financeira, os resgates da seguradora American International Group, da Fannie Mae e da Freddie Mac foram os primeiros sinais do que estava para vir. Os especialistas notam que estas operações vão sair mais caras do que o previsto, e vários estados norte-americanos estão a pedir ajuda fiscal a Washington, sendo a Califórnia o exemplo mais óbvio deste movimento.

Esta semana, a Reserva Federal norte-americana anunciou que vai começar a comprar papel comercial, os empréstimos de curto-prazo das empresas usados para os seus negócios do dia-a-dia, o que representa mais custos para o Executivo de George W. Bush.

Os analistas sublinham agora que o plano de resgate no valor de 700 mil milhões de dólares, aprovado pelo Congresso na semana passada e ratificado pela administração Bush, pode não ser suficiente para resolver a crise, e o valor necessário poderá ser bastante superior.

"Sempre pensei que eles iriam pedir mais dinheiro se fosse necessário, e parece que isso vai acontecer", disse à Bloomberg Stan Collender, um ex-analista dos comités orçamentais da Câmara dos Representantes e do Senado. "Neste momento, não há nada de positivo a acontecer para o orçamento. Nada", sublinhou.

Os peritos notam que o défice orçamental norte-americano pode estar perto dos 2 biliões de dólares (1,47 biliões de euros), ou 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB), mais do dobro do limite máximo de 6% fixado em 1983, de acordo com David Greenlaw, economista-chefe do Morgan Stanley.

Há duas semanas, os analistas do orçamento de Estado disseram que as medidas para salvar o sistema financeiro norte-americano podiam elevar o défice orçamental do país até aos 1,5 biliões de dólares. Parecem ter falhado o alvo.

David Greenlaw alertou à Bloomberg que o plano de resgate vai aumentar os empréstimos concedidos pelo Tesouro, o que, por sua vez, vai fazer subir as taxas de juro.

Dívida dos Estados Unidos a crescer

Os especialistas notam que a dívida bruta dos Estados Unidos, que inclui a dívida das agências públicas e governamentais, atingiu cerca de 9,6 biliões de dólares, este ano, ou cerca de 68% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo que a legislação aprovada na semana passada contribuiu para aumentar ainda mais o limite da dívida do Governo, dos 10,6 biliões de dólares para um valor acima dos 11,3 biliões [11 300 000 000 000] de dólares.

Para além disso, os supervisores do orçamento dizem que a pequena dimensão das intervenções (pouco significativas) está a tornar o Governo norte-americano mais liberal em termos de gastos do que o costume. Neste sentido, para atrair os votos do Congresso, os líderes anexaram vários itens (custosos) ao plano inicial apresentado pelo Secretário do Tesouro, Henry Paulson, incluindo os prolongamentos de alguns benefícios fiscais.

Agora, receiam-se abusos. Conforme disse à Bloomberg Robert Bixby, director-executivo da Concord Coalition, um supervisor do orçamento independente, a legislação aprovada para salvar o sistema financeiro norte-americano "cria uma máscara para todos os tipos de irresponsabilidade fiscal."

ESCLARECIMENTO: O 'bilião' português é equivalente ao 'trilhão' brasileiro ou ao 'trillion' norte-americano.


Comentários
 
J.Carvalho
ATenção ao esclarecimento. O bilião português é o do sistema internacional (ISO)que os americano não seguem (como em muitas outras coisas estão ao revés do resto do mundo). Não sabia que o Brasil também estava de fora. Se assim é, é pouco sensato.
 
jrdesiludido
Pregunto: Quando é que os USA vão pagar a sua dívida monstruosa??? Como pode, a 1ª potência económica e militar mundial, viver com um monstro assim??? Será que, são os povos mais atrasados do mundo, que lhes permitem manter o seu alto nível de vida??? Ou são os seus aliados da União Europeia e afins que os sustentam??? Algo não vai bem no "ex-farol do mundo", actual "império do mal". Como sucedeu aos impérios anteriores, penso assistirmos hoje, ao princípio do seu fim.Disse...
 
 
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