Internacional - Economia

Juros 2008-11-20 09:06

Bini Smaghi diz que BCE pode cortar ainda mais as suas taxas de juro

O Banco Central Europeu (BCE) pode cortar mais a sua taxa directora, mas a política monetária tem de ser prudente e orientada para a projecção, nos próximos 18 meses, da redução da inflação para dois por cento e não deflação, disse Bini Smaghi, membro do Comité Executivo do BCE.

Diario Económico Online

Em entrevista ao 'Público', este responsável adiantou que "o que deve ser uma preocupação é evitar a situação vivida nas economias ocidentais em que as taxas de juro ficaram demasiado baixas durante demasiado tempo". 

Smaghi realçou que, por isso, o BCE tem que ter uma orientação de médio prazo na política "e olhar para os desenvolvimentos da inflação, não mês a mês, mas para os próximos 18 meses". O membro do Comité Executivo do BCE afirmou que, nesse período, "o que se projecta é uma redução, mas para níveis próximos de dois por cento", adiantando: "não estamos a antecipar a ocorrência de uma processo de deflação".

A 6 de Novembro, o BCE cortou a sua taxa directora em 50 pontos base (pb) para 3,25%, após ter sido divulgado que a inflação na área do euro tinha descido para 3,2%.

"Temos dito que essa é uma possibilidade. Pode haver mais cortes de taxas, dependendo de quais serão os desenvolvimentos", disse Lorenzo Bini Smaghi.

"A política monetária tem de ser prudente. Tem de se evitar que, ao resolver os problemas de hoje e ao olhar apenas para as questões financeiras, se criem os problemas de amanhã", referiu o membro do Comité Executivo do BCE, alertando que, "se as taxas de juro ficarem demasiado baixas por demasiado tempo cria-se uma recuperação artificial e uma estabilização dos mercados artificial, que leva à próxima crise".

Para este responsável "o que é importante é que a redução das taxas de juro seja completamente reflectida pelo sistema financeiro para os utilizadores finais". "E para que isso aconteça é preciso que os bancos levem em conta as nossas decisões e que as implementem. Eles têm sido lentos a fazê-lo e nós não queremos substituir o sistema bancário", acrescentou.

Interrogado sobre se a acção recente do BCE não foi tarde de mais para evitar uma recessão, respondeu: "o abrandamento e a possibilidade de uma recessão é um fenómeno global, que irá acontecer também em países que começaram a baixar taxas de juro há muito tempo".

"Não se pode estar a pensar se teríamos ou não uma recessão se tivéssemos cortado as taxas de juro mais cedo. Este é um choque que afecta a economia mundial", acrescentou Bini Smaghi.

A área do euro entrou na sua primeira recessão técnica ao registar uma contracção de 0,2% do seu crescimento no terceiro trimestre de 2008, após idêntica contracção no trimestre anterior.

O membro do Comité Executivo do BCE admitiu que, no passado, "houve uma subavaliação do risco dos bancos, que também esteve ligada ao facto dos empréstimos serem demasiado fáceis e baratos", mas "se houve culpa dos bancos centrais, o BCE é certamente dos que tem menos".

Smaghi acrescentou que "é preciso dar mais atenção ao que se passa nos mercados financeiros e nos mercados de activos" e, por isso, o BCE tem dois pilares: o económico e o monetário.

"A análise dos bancos centrais tem de levar em conta os desenvolvimentos financeiros e acho que vai ser ainda mais assim no futuro", salientou.

Comentários
 
artur
olhar para os proximos 18 meses???????????? pois mas se eles olhassem como dizem quando aumantaram as taxas de juros sem nexo nao estavam a ver os 18 meses a frente que isto que hoje esta acontecer ia suceder. O BCE quer outra vez o euro alto o petroleo alto para encher os Poderosos que agora esta a berra. pois berrem que nós os pobres estamos a berrar a mais tempo e ninguem nos ouve. Baixem as taxas olhem para os grandes bancos centrais que baixam as taxas aprendam com eles.
 
 
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