Para se consolidar como operador integrado 2008-05-21 11:05
Gás Natural vai investir 12,5 mil milhões de euros até 2012
A espanhola Gás Natural vai investir 12,5 mil milhões de euros nos próximos quatro anos, no âmbito de um "ambicioso" plano estratégico que não passa por operações corporativas que "não estão a ser contempladas", anunciou o presidente da empresa.
Diario Económico Online com Lusa
Salvador Gabarró, que falava aos jornalistas antes da Assembleia de Accionistas em Barcelona, explicou que a aposta até 2012 será em consolidar a empresa como "operador internacional energético verticalmente integrado".
"Nestes momentos estamos muito centrados no nosso plano estratégico, que implica muito esforço e não estamos a contemplar ou estudar qualquer operação corporativa. Não necessitamos de operações corporativas para continuar a crescer", afirmou.
Numa referência a rumores de movimentos corporativos envolvendo a empresa, incluindo uma eventual fusão com a Iberdrola, Gabarró insistiu que nada está a ser considerado e que há pré-condições para avaliar "eventuais oportunidades".
"Se surgir uma oportunidade que traga lucros importantes para os accionistas e não nos desvie do plano, estamos disponíveis para o estudar. Mas não estamos a estudar nada e só queremos apostar no Plano Estratégico. O resto são rumores", frisou.
O Plano Estratégico para o período 2008-2012 surge depois do que Gabarró considerou ser uma aplicação total do plano que agora termina, com resultados "positivos" no primeiro trimestre.
A empresa prevê ampliar a carteira de up+midstream em 9 bcm, dos actuais 26 para 35, a construção do Gasoduto Magreb e de uma unidade de regasificação em Itália, com uma ampliação da frota marítima e desenvolvimento de projectos integrados em África e no Médio Oriente.
Neste capítulo destaque-se o projecto integrado de GNL, que está a ser desenvolvido em conjunto com a Repsol em Angola.
No que toca à comercialização, a empresa quer aumentar a quota no mercado industrial espanhol para 40 por cento e a quota em França, Itália e Portugal para cerca de cinco por cento.
Quer ultrapassar os 10 milhões de contratos em Espanha, dos quais metade em gás.
No negócio eléctrico, a Gás Natural quer atingir os 10 mil MW de potência eléctrica instalada e na distribuição atingir os 16 milhões de pontos de fornecimento.
Um plano "ambicioso", na opinião de Rafael Villaseca, conselheiro-delegado da empresa, que disse que o plano quer
consolidar a posição da Gás Natural em Espanha, Itália e América Latina, os seus principais mercados.
"Queremos continuar o actual modelo fortalecendo-o com a aposta nesses mercados, mais contratos ou acesso a gás, e mais exportações a novos mercados, crescendo outras actividades da cadeia, olhando para a convergência de gás e electricidade", disse. "Apostando também num ênfase contínuo em eficiência", disse.
Para tal, notou, haverá um crescimento orgânico nos negócios actuais, e a procura de novos mercados e activos, com a aquisição de 2,25 milhões de clientes de distribuição de gás e o desenvolvimento de 1200 MW em ciclo combinados.
O objectivo é atingir em 2012 um EBITDA de três mil milhões de euros e um lucro líquido médio de oito por cento.
Gabarró explicou que o plano consolida os "esforços dos últimos anos", cujos resultados se continuaram a evidenciar no primeiro
trimestre deste ano, em que cumpre 165 anos de vida, e em que a Gás Natural registou lucros de 335,8 milhões de euros, o que representa um aumento de 10,2 por cento face ao período homólogo em 2007.
Resultados "excelentes", como explicou Gabarró, notando que o EBITDA (resultados operacionais reais antes de provisões, impostos e amortizações) alcançou os 725,9 milhões de euros, mais 15,4%, devido em grande parte à actividade de geração de
electricidade em Espanha.
Gabarró referiu que a empresa continuou a apostar na consolidação dos resultados dos activos eléctricos, através da compra de mais 2233 megawatts em ciclos combinados no México em finais de 2007, representando um EBITDA de 19,1 milhões de euros.
Rafael Villaseca destacou que a Gás Natural conseguiu superar as expectativas previstas no anterior plano estratégico, com uma
rentabilidade total de 113% - entre revalorização das acções e dividendos.
Notou, por exemplo, que o objectivo de crescimento anual médio atingiu os 17,3%, acima do previsto (16%) e
conseguido com apenas 6,64 mil milhões de euros de investimentos acumulados neste período, menos do que os 8,8 mil milhões inicialmente previstos.
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