Internacional - Mercados

Índices afundam entre 7 e 9% 2008-10-10 17:02

Bolsas europeias registam a pior semana de sempre

Os principais índices europeus registaram esta semana a pior performance desde 1987, altura em que foi criado o índice Stoxx 600, devido aos receios dos investidores de que o agravamento da crise de crédito vai empurrar a economia mundial para uma recessão.

Cristina Barreto

Segundo um analista, "atingimos o estado de pânico. A actual situação é pior do que em 1987 [ano em que foi registado um forte 'crash' em Wall Street] pois nessa altura a crise foi confinada apenas aos mercados accionistas, com efeitos limitados para a economia real. Os fundamentais já não contam para nada.”

Assim, os títulos mais sacrificados da sessão foram os da Banca, como é o caso dos do Barclays, o segundo maior banco do Reino Unido, que afundaram 14% para os 207,25 pence, dado a instituição ter revelado que "está a analisar uma série de opções, incluindo um aumento de capital".

As taxas interbancárias em Londres (Libor), utilizadas pelos bancos para emprestarem entre si, subiram hoje 7 pontos base para os 4,82%. O custo dos empréstimos em dólares, com maturidade a três meses, atingiu o nível mais elevado desde 27 de Dezembro de 2007, de acordo com os dados divulgados hoje pela Associação de Banqueiros Britânicos.

No vermelho encerraram também as produtoras de matérias-primas, tais como a britânica Rio Tinto, a terceira maior empresa de mineração do mundo, cujas acções tombaram 11% para os 2456 pence, com a descida dos preços dos principais metais no mercado londrino, em particular do cobre que registou a pior semana em mais de duas décadas.

Já a petrolífera francesa Total, a maior refinaria da Europa, caiu 8,4% para os 32,945 euros e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, maior produtora de petróleo da região, perdeu 8,2% para os 1319 pence.

O contrato de crude para entrega em Novembro caiu hoje mais de 6 dólares por barril, estando há cerca de uma hora atrás a ser negociado nos 76,60 dólares no ICE de Londres, penalizado pelos receios de que o abrandamento económico vai afectar a procura desta matéria-prima.

Nota ainda para a forte desvalorização da energética alemã E.ON, a maior utility europeia, que afundou 11% para os 25,09 euros.

Assim, o DAX Xetra de Frankfurt perdeu 7,01% para os 4544,31 pontos, o S&P/MIB de Milão caiu 7,14% para os 20 309,00 pontos e o CAC-40 de Paris tombou 7,73% para os 3176,49 pontos, enquanto que o FTSE-100 de Londres afundou 8,85% para os 3932,06 pontos e o Ibex-35 de Madrid desabou em 9,14% para os 8997,70 pontos.


Comentários
 
AGRIPINEX (eduardoacoliveira@mail.telepac.pt)
Quem está a gozar, neste momento, com a situação, é o pessoal que tem por lema "chapa ganha, chapa gasta"!... A ganância humana, tarde ou cedo, só pode levar a este tipo de situação. È claro que alguns de entre nós, com a natural preocupação de prever o futuro, foram arrastados por esta onda devastadora, mas também é verdade que, se fossem um pouco mais comedidos nas suas ambições, como é o meu caso, certamente que não se estariam a lamentar. Só é pena que o actual momento, não seja aproveitado para varrer do sistema toda essa chusma de capitalistas gananciosos que proliferam por aí, à escala global. Sempre fui a favor de uma sociedade capitalista, mas não desmesurada a este ponto, por isso, VIVA A CRISE !...
 
arantes da silva (arantesdasilva@gmail.com)
Parece que entramos na era do desinvestimento e vamos entrar na guerra da libertinagem e do salve-se quem puder.
 
 
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