“Esta é uma actividade económica transparente” - Três perguntas a José Horta, secretário-geral da APETRO
Qual é o peso no preço dos combustíveis, das várias componentes (refinação, distribuição…)?
Se há alguma actividade económica que seja transparente, é esta. Porquê? A Platt’s publica diariamente as transacções para o Norte da Europa, que são a referência para a saída das nossas refinarias em Portugal. Se eu olhar para as cotações numa semana, sem ser vidente sei o que se vai passar na semana seguinte ou dez dias depois. Agora, quando se pergunta quanto é que é o peso de cada componente, não sei, não posso dizer. Cada companhia é que poderá dizer o que pesa cada componente para fazer a sua margem.
Tem tido algum impacto a valorização do euro face ao dólar?
Com certeza. Basta ir ao nosso site e ver as duas curvas (variação em dólares e em euros). A 1 de Abril, o petróleo custava 63 euros, por barril, a 1 de Maio estava a 72 euros e a 5 de Maio a 75 euros. Uma das razões por que os preços do crude estão tão altos ao nível internacional é exactamente a fraqueza do dólar. Quem vende acumula dólares, nos países produtores e exportadores, e como sabe que quem compra tem uma moeda mais forte, a tendência é aumentar o preço em dólares.
Não há um aproveitamento das companhias nessa conversão do preço?
Não. É publicado no site da DGEG o custo de aquisição para Portugal do crude, em euros e em dólares. A cotação internacional é em dólares. Ninguém compra numa bolsa o petróleo em euros. Os contratos têm de ser feitos em dólares. Quando vai comprar dólares em euros fica mais barato, é por isso que, por exemplo, o crude a 119 dólares, é na verdade 76 euros. Temos a felicidade de ter uma moeda forte que é o euro, senão estaríamos, hoje, a pagar muito mais.
Consumo em queda
O consumo de combustíveis continua a cair em Portugal, tendo em Janeiro descido 2,4% face a igual mês do ano anterior. Um decréscimo que encontra a sua principal origem no aumento progressivo do preço do crude, que atingiu, 126,98 dólares, um novo recorde. Já o Brent, atingiu os 125,90 dólares. De acordo com as estatísticas rápidas de Janeiro da Direcção Geral de Geologia e Energia (DGEG) referentes ao petróleo, gás natural e carvão, no consumo global, verificou-se uma diminuição de 5,7% do consumo de gasolinas, já no consumo de gasóleo a evolução foi contrária, ao aumentar 1,7%. Na gasolina de 95 octanas o consumo diminuiu 2,8%. Analisando os consumos dos combustíveis rodoviários a evolução foi semelhante. No caso das gasolinas houve uma diminuição de 5,7% e no caso do gasóleo um aumento de 2%.
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