Cartas de condução 2008-07-25 14:15
Microfil declina responsabilidades pelo desaparecimento de 46 mil pedidos
A empresa responsável pela digitalização de requerimentos de cartas de condução garantiu hoje "ser totalmente alheia" ao desaparecimento de 46.000 pedidos, atribuindo o problema ao sistema informático do Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres (IMTT).
Diario Económico Online com Lusa
Segundo o presidente da Microfil, Manuel Antunes, os problemas surgidos não estão do lado da empresa, mas no novo sistema informático do IMTT, ao qual não tem acesso.
"É uma caixa negra e não podemos ver, sequer, se os ficheiros que entram estão em ordem", disse hoje aos jornalistas, em conferência de imprensa.
Depois de analisar o ficheiro enviado pelo IMTT com a relação dos formulários "desaparecidos", a Microfil assegura que 87,8% nunca lhes foram entregues e cerca de 16.346 até são posteriores ao contrato que tinha com o instituto, cujas condições "cumpriu até ao fim".
Dos que chegaram a ser entregues à Microfil, 7.428 (10,2%) não passaram no controlo por falta de assinatura ou de fotografia e foram devolvidos às delegações do IMTT que os haviam expedido, assegurou.
Os formulários efectivamente processados pela empresa foram 1.441 (apenas dois por cento dos alegadamente desaparecidos), tendo entrado no sistema do IMTT 1.062, dos quais "andam lá perdidos 1,5% e 0,5% foram rejeitados", segundo Manuel Antunes.
O presidente da Microfil adiantou ainda que 385 registos da lista enviada pelo IMTT estavam duplicados, pelo que o número preciso será de 72.780 formulários.
Em entrevista à agência Lusa, na quinta-feira, o presidente do IMTT, António Crisóstomo Teixeira, disse que o número de requerimentos "não localizáveis" ascende aos 46 mil, e não 73 mil, como tinha sido referido anteriormente pelo próprio instituto.
O novo número surge depois de técnicos do IMTT terem feito, quarta-feira, uma análise às imagens digitalizadas dos impressos de requerimento das cartas de condução guardadas no sistema informático da Microfil, que até Junho passado prestava esse serviço ao IMTT.
"A conclusão a que chegámos é que dos 73 mil documentos que estariam em atraso, 19 mil nunca poderiam ter ido para a Microfil, na medida em que a data em que os formulários tinham sido produzidos era posterior à data de suspensão do serviço", afirmou.
"Depois verificámos que tinha havido mais sete mil devoluções por falta de qualidade, que havia mais 1.100 imagens que estavam processadas. De imediato chegou-se à conclusão que a dimensão das imagens com insuficiente referência para dizer se estavam bem ou mal localizadas era bastante menor, da ordem das 46 mil", justificou.
O presidente do IMTT relacionou o desaparecimento dos 46 mil processos de emissão de cartas de condução com a mudança de sistema informático, já que o serviço que era anteriormente prestado pela Microfil passou a ser da responsabilidade do próprio IMTT, mas disse, no entanto, que não há nenhum "descontrolo".
Hoje, o presidente da empresa insistiu em que está em causa os sistemas informáticos do IMTT e não da Microfil, ainda que alojados nas suas instalações, aos quais não tem acesso.
Manuel Antunes destacou que os formulários "desaparecidos" são todos posteriores à troca da base de dados dos serviços centrais do IMTT, para cujos problemas de integração os responsáveis da Microfil dizem ter alertado insistentemente aquele Instituto, a quem "foram devolvidos todos os formulários que não estavam processados no termo do contrato".
Esse contrato cessou a 29 de Junho e, desde então, a Microfil foi substituÃda nos serviços que prestava de controlo de qualidade de imagem e "matching" de dados dos formulários por "uma micro empresa de constituição recente, sem qualquer passado comercial", segundo Manuel Antunes.
A razão, de acordo com o administrador da Microfil, foi uma diferença de 24 euros no valor das propostas, "que acabou por ser um critério único".
A adjudicação foi feita por "procedimento por convite" e a Microfil interpôs uma providência cautelar que deu entrada no Tribunal Administrativo de Viseu no dia 14, por alegadas irregularidades processuais, revelou.
Num comunicado colocado no site do IMTT, o instituto esclarece que "reformulou o seu procedimento de digitalização do formulário utilizado para o pedido de cartas de condução, passando a produzir as imagens necessárias, nos seus serviços regionais e distritais, a partir do corrente mês de Julho, em equipamentos (scanners) que adquiriu para o efeito", sendo o controlo de qualidade feito posteriormente pela empresa CORELUSO.
Por causa da transição, a entrega de formulários à Microfil foi interrompida em 19 de Junho, tendo-se iniciado a digitalização nos serviços regionais e distritais apenas 17 dias depois (a 8 de Julho), por causa de problemas de sincronização e configuração dos novos equipamentos.
Com o objectivo de controlar o número de imagens digitalizadas "em falta" a 8 de Julho, "foi efectuado um levantamento por comparação das imagens arquivadas com os pedidos relativos a cartas de condução digitados e introduzidos" no sistema informático do IMTT, tendo-se chegado ao número de cerca de 73.000 imagens, na sua maior parte (50.000) referentes ao mês de Junho, segundo a nota.
O IMTT decidiu então enviar uma equipa técnica à Microfil "para inspeccionar o conteúdo dos dispositivos de memória e obter outras informações técnicas".
Após essa inspecção e da recolha de informações nos serviços regionais e distritais, o IMTT chegou à conclusão de que, a 8 de Julho, "a quase totalidade das imagens consideradas em falta estaria ainda naqueles os serviços, a aguardar digitalização."
"Para confirmar a boa evolução deste processo, o IMTT vai efectuar novo levantamento de imagens em falta, no inÃcio da próxima semana", estimando que "o número de formulários/imagens não localizáveis nunca ultrapasse as 6.000".
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NapoLeão
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Os factos: 1) D-G Viação extinta: 2)Pessoal emprateleirado; 3) criação de 2 Institutos; 4) Melhorias ? Confusão instalada !!!
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