Imobiliário 2007-04-27 20:29
Federação considera que 'bolha' espanhola pode afectar a mão-de-obra portuguesa
O presidente da Federação Portuguesa da Indústria da Construção Civil e Obras Públicas (FEPICOP) alertou hoje para o possível impacto negativo da bolha imobiliária em Espanha nos milhares de trabalhadores da construção portugueses que ali trabalham.
Tiago Silva
"Há actualmente 80 mil trabalhadores portugueses em Espanha no sector da construção", recordou Reis Campos à agência Lusa, afirmando-se "preocupado" com os efeitos negativos que a crise do mercado imobiliário espanhol poderá ter nesta mão-de-obra já de si precária.
O presidente da FEPICOP - que integra as associações das Empresas de Construção e Obras Públicas (AECOPS), dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) e dos Industriais da Construção de Edifícios (AICE) - comentava assim a forte quebra de confiança que se tem vindo a registar no mercado imobiliário espanhol, com as cotações de algumas das principais imobiliárias a registarem uma forte descida em bolsa nos últimos dias.
De acordo com Reis Campos, é preciso ainda aferir se esta já esperada "aterragem" do sector em Espanha - que na última década cresceu 15 a 18% ao ano - será uma "queda suave" ou, pelo contrário, uma "quebra brusca", cujo impacto poderá estender-se a Portugal.
Em causa está a eventual procura de outros mercados por parte das empresas espanholas que, segundo alguns especialistas, já terão percebido que o mercado português está mais activo e atractivo.
Afirmando que já há algum tempo que os espanhóis têm vindo a adquirir terrenos e a desenvolver empreendimentos imobiliários em Portugal, o presidente da FEPICOP entende que um reforço brusco desta situação "não será benéfico para Portugal".
"Continuamos a querer atrair investimento estrangeiro, mas não como recurso desse investimento", sustentou Reis Campos, considerando que "Portugal não irá beneficiar caso haja uma queda brusca do sector em Espanha".
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