Nacional - Empresas

Tribunal de Contas 2008-07-04 11:45

Autarquias devem 174 milhões de euros às empresas do grupo AdP

As dívidas das autarquias às empresas do grupo Águas de Portugal (AdP) ascendiam a 174 milhões de euros, em 2007, com a Câmara Municipal de Lisboa a encabeçar a lista dos piores pagadores, com 27,8 milhões de euros em atraso, refere hoje o Tribunal de Contas.

Rita Paz

A seguir a Lisboa, a maior dívida é a da Câmara Municipal de Loures, com 15,9 milhões de euros, seguindo-se a autarquia de Aveiro, com 7,9 milhões de euros, de Coimbra, com 7,3 milhões de euros, e Câmara de  Gaia, com 7 milhões de euros.

O TC salienta que, o acumular dessa dívida se explica por algumas dessas autarquias serem, simultaneamente, clientes e accionistas dessas empresas do grupo, o que "provoca uma incúria que não abona a favor do rigor e da responsabilidade que se exige às entidades públicas no cumprimento das suas obrigações".

Estado deve 50 milhões de euros ao grupo 
Segundo o relatório de auditoria do Tribunal de Contas, também o Estado está em falta nos pagamentos à AdP, com uma divida de 50 milhões de euros, referentes a desvios tarifários.

"Nas contas consolidadas da AdP consta um direito a haver do Estado (desvios tarifários) no valor de 50 milhões de euros correspondentes ao valor necessário para repor o equilíbrio económico-financeiro dos contratos dos sistemas multimunicipais", refere o relatório.

O Tribunal de Contas considera que os défices tarifários acumulados pelas empresas são uma das maiores preocupações para o grupo, "uma vez que as tarifas praticadas por alguns Sistemas Multimunicipais são, em muitos casos, significativamente abaixo daquelas que possibilitariam a recuperação dos capitais investidos e a remuneração mínima".

Apesar do Estado estar obrigado a repor esse montante, o Tribunal de Contas afirma que "nenhum contrato foi alvo de negociação", nem foi acordado quais os valores envolvidos.

O Tribunal de Contas recomenda ao Estado, único accionista do Grupo, uma "imediata e eficaz reestruturação do sector promovida pelo Governo português e articulada quer com o Grupo Águas de Portugal quer com as Autarquias locais envolvidas".

 
 

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