O episódio da cigarrada do primeiro-ministro quase distraiu os portugueses de um folhetim político que, apesar de chato e comprido como um vulgar peixe-espada, vem concitando a atenção geral.
João Paulo Guerra
Trata-se da eleição do líder do PSD. É verdade que o processo se arrasta de tal modo que qualquer dia já ninguém se lembra do nome do líder demissionário. Para além disso, está irremediavelmente comprometido o desiderato do secretário-geral do partido de resolver a compita a tempo de permitir a participação do povo social-democrata na mobilização do país em torno da campanha europeia da “equipa de todos nós”.
A prontidão com que o primeiro-ministro desembargou o interlúdio do cigarro, reduzindo a cinzas toda a contestação política com o anúncio da decisão de deixar de co-incinerar cigarros uns atrás dos outros, permitiu aos portugueses recuperar o andamento da tocata social-democrata. E onde param as modas pelas bandas do PSD? No preciso compasso em que evacua Jardim e que medra Santana Lopes. Feliz conjuntura que impede que se estraguem duas candidaturas. E é com energia acrescida por este apoio ‘off-shore’ que Santana Lopes se propõe o limite sempre malogrado de acabar com a “bagunça” e com o “espectáculo” no PSD, o que leva alguns militantes bem-intencionados a temer pela sobrevivência política do próprio candidato sobrevivo. Isto porque uma coisa é andar por aí, outra será estar ali. Dizem.
O cenário para a conquista do poder no PSD desenha-se assim como o de uma luta de titãs que promete incendiar o país político. A menos que algum ministro ou equiparado acenda um cigarro a bordo de um avião ou no salão de um casino. E o PSD lá se desfaz outra vez em fumo. Fumaça. Só fumaça.