Editorial


A nossa Alitalia

Itália é um país fantástico.

André Macedo

Quase 36 milhões de turistas estrangeiros visitam todos os anos as suas magníficas cidades, como Roma, Florença e Veneza; ou optam por fazer esqui nos Alpes à volta de Turim e Milão – as estâncias são francamente boas. Em alternativa podem ainda viajar para a praia e banhar-se nas águas quentes da Sardenha ou da Sicília. Tudo somado, Itália tem todas as condições para orgulhar-se de ter feito crescer uma grande companhia aérea internacional: além de ser o quinto país do mundo com mais turismo, os 60 milhões de italianos também garantem massa crítica suficiente para impulsionar o negócio de qualquer empresa de aviação. Verdade? Mentira. Não são apenas os narizes negros dos aviões da Alitalia que parecem desactualizados, é a própria companhia que ainda vive os anos de chumbo do intervencionismo político e da chantagem dos sindicatos. O resultado é absurdo: 364 milhões de euros de prejuízos em 2007, a ruína e o espelho de um país cujo PIB já foi ultrapassado pela Espanha e que, em breve, será pela Grécia.

Pensemos então um pouco. Intervenção política constante, sindicatos vingativos, gestão frágil... não nos lembra mesmo  nada? Pois é: a TAP de há apenas uns anos. Não vale a pena recuar muito, basta voar até aos anos 90 para lembrar as greves sucessivas e a espiral de perdas. O que é hoje a Alitalia já foi a TAP ainda há pouco tempo: lutas partidárias, sindicatos amotinados, opiniões radicais, uma gestão incapaz de gerir e, nalguns casos, sem competência técnica para o fazer. A Alitália, portanto. Felizmente, nos últimos oito anos muita coisa mudou. Houve greves, voos anulados, serviços medíocres, mas também resultados positivos, lucros, uma nova frota de aviões, novas rotas e, acima de tudo, a certeza de que a companhia aérea – quatro vezes mais pequena do que a Iberia – soube encontrar o seu espaço num mercado altamente competitivo. A compra da PGA foi o resultado deste salto qualitativo.

Qual foi o truque? O óbvio: uma gestão competente que se soube blindar – e a quem foi permitido blindar-se – das influências dos comissários partidários. Ainda houve uma pequena recaída, quando Cardoso e Cunha quis subverter a ‘governance’ da empresa e torpedear as decisões de Fernando Pinto, administrador-delegado. Esses tempos de contra-revolução já passaram e permitiram à TAP apresentar 32,8 milhões de lucros em 2007 – convém lembrar que, nas décadas de 70 e 80, somaram-se os prejuízos. Claro, o êxito da TAP provocou perplexidade e inveja. Contas maquilhadas e excesso de dependência das rotas brasileiras são os ataques mais comuns. Como é óbvio, há críticas justas a fazer. É mau que o relatório e contas demore tanto tempo a ser tornado público. Ou que, sendo uma companhia pública, a TAP não seja sujeita às mesmas regras de transparência de uma cotada – embora esse seja um problema de todas as empresas públicas. Ou que, finalmente, os lucros continuem baixos tendo em conta o volume de negócios de dois mil milhões de euros. Dito isto, sobra o essencial: a TAP, hoje, acrescenta valor ao país, não retira.

Comentários
 
NapoLeão
Lemos o artigo e caímos para o lado de "satisfeitos". A "nossa Tap" é um luxo no contexto actual. Já não temos "colónias" e por casamento/união de facto a Tap tem que dar o salto para uma coligação de custos/receitas com a Ibéria. A Alitália está com sorte. O camarada Silvio fará negócio com o camarada Putin. São favas contadas já que o dono da 3ª fortuna de Itália precisa de energia e ela virá do Leste.
 
Anapaz Almeida
Pois é André Macedo, mas eu ainda quero ver uma auditoria independente ás contas da TAP. É que neste momento a companhia tem um passivo consolidado de mais de 1200 milhões de euros. É que além do maior lucro, dizem, e não conheço as contas dos tempos do Vaz Pinto, também é verdade que a TAP está com o maior passivo consolidado de sempre.
 
JMCAGE
Uma taxa de retorno de 32.8/2000, ou 1,7% é retirar dinheiro ao contribuinte. Até os depósitos a prazo pagam mais. Mas ninguém sabe fazer contas? Venda-se o raio da empresa. Acabam-se estes disparates.
 
vg
A conversa do costume.A TAP flutua graças à desgraça da Varig e ao esforço do pessoal,à exepção dos pilotos.Não confundir com a Alitália,onde a mistura de bela vida,politicos irresponsáveis e sindicatos com força,fez chegar a este desastre nacional.Companhia de "bandeira"é isso mesmo ,de bandeira ,o que não se discute.Com Berlusconi vai continuar ,por causa do turismo(!),do "hub"de Malpensa e do prestígio.Pagará o povinho..
 
Pedro Ló (lo.branco@gmail.com)
Restam poucas dúvidas que a TAP parece estar melhor do que no século passado. Mas para credibilizar as conclusões tiradas neste artigo e garantir que estamos melhor que a Alitalia, penso que faltam os passos essenciais. Avaliar a qualidade de serviço e reduzir o preço das passagens, para que seja realmente uma empresa viável. Penso que só assim a TAP será obrigada a reduzir os custos operacionais e o valor das amortizações dos capitais injectados na empresa por todos nós. Mesmo sem privatizar o capital, falta ainda muita transparência. Por fim, sugiro que se acelere este processo para se aproveitarem as excelentes pessoas e competentes profissionais que fazem parte dos quadros da empresa, eliminando as gorduras e excluindo os recursos que se habituaram aos benefícios extraordinários e sem paralelo no panorama nacional e internacional e que não perceberam que a realidade é outra e que já não são as elites que usam os serviços da TAP. Penso que ainda é cedo para lançar foguetes como se pretende concluir neste artigo, que achei interessante.
 
Jose
A TAP está melhor porque tem um Gestor profissional (coisa rara em Portugal). Quanto à PGA, foi um jeito para o BES, não para a TAP. A PGA estava fali....
 
Teresa Pinto
André Macedo está mal informado. A situação da TAP não é nada daquilo que nos querem fazer crer. A TAP cometeu um grave erro ao comprar a Portugália porque foi gastar 150 milhões de euros numa empresa completamente falida. Foi um favor ao grupo BES. A TAP está a ser cilindrada pelas Low Cost que podem agravar a situação da transportadora nacional
 
MAVERICK
GroundForce ... não se entende se estará a transformar-se em "scapegoat" de um qualquer FLOP ( Portugália por exemplo ), se servirá como "ferramenta de pressão" para recontratar func/TAP a custo inferior num estilo de negócio manhoso, contratação de "iluminados" ( o mais recente vem de uma empresa "entregadora de embrulhos" ) ou ainda de ex/Tap a "gordos" recibos verdes e também "iluminados", criação de cargos de chefia interm operacional que colindem e se sobrepoêm com os desenvolvimentos que se imaginam, etc, etc, tudo isto com a devida supervisão/ TAP. Qual é o "gato escondido" de toda esta amálgama? A determinada altura pareceu ter havido uma evolução, engano ... continua a sêr "a velha TAP" de sempre com o habitual alto ratio de colaboradores/chefia e permeável ao poder político ao estilo embora para melhor da RTP!
 
jd
Senhor André Macedo , faça favor veja que está errado na comparação do pib italiano com o grego. PIB italiano:1.900 mil milhões PIB grego : 400 mil milhões O seu a seu dono, pois a diferença é grande Quereria referir-se ao produto per capita?
 
FT
Dizer que no tempo do Comissário Cardoso e Cunha a TAP sofreu apenas "uma pequena recaída" deve ser para brincar. O dito senhor só não anulou todo o esforço que a gestão tinha feito, porque houve o bom-senso de o retirar lá o mais depressa possível.
 
Leandro Coutinho (L_Coutinhofr@Yahoo.fr)
Macedo veja lá se não entra em fantasias... Essa de o PIB da Grécia em breve ultrapassar o da Itália é de gritos.. Foi um acontecimento o facto de a Espanha ter ultrapassado a Itália em termos de PIB-per-Capita.. Não em valor absoluto.. Mas, com a Grécia, nem uma coisa nem outra.. Num jornal de economia exige-se o mínimo de rigor.. OK?
 
comporta
Que grande trapalhada, PIBs italianos versus gregos a diferença é ainda grande talvez no próximi século se invertam os rankins. E a PGA grande jeito ao GES, falida é pouco mais uma vez se socializaram as perdas, o contribuinte pagará. A situação é melhor sem dúvida mas não se embandeire em arco, a obrigação era fazer melhor com aquele ROE e pay back os nossos netos vão ter muito que suar.
 
PEDRO
O PIB ITALIANO É DE 1.7 TRILHOES; DA ESPANHA 1.1 TRILHOES E DA GRECIA 400 BILHOES. FALO DO PIB.
 
Meirelles
Escreveu aqui um tal de jose o seguinte "...Quanto à PGA, foi um jeito para o BES, não para a TAP. A PGA estava fali...." Eu lembre ao SR. José que a TAP estaria falida de certeza, agora que o petroleo disparou, se continuasse (sem a PGA) a fazer voos Lisboa-Porto usando os Airbus A319. Irritam-me estas pessoas que o que têm acima do pescoço seja sobretudo e apenas para suportar o cabelo !!! Convido-o a usar a cabeça para outros fins e respoder ao seguinte : 1.Qualquer aviao da PGA consome muito menos que qualquer aviao da TAP, sendo assim acha mau a TAP estar a usar os avioes masi pequenos da PGA ? 2. Para as mesmas rotas nacionais e europeias um tripulante da TAP ganha mais do dobro de um tripulante da PGA, acha que nestes tempos de crise a TAP devia ter continuado a dar-se a esse luxo ? 3. A PGA tem 2 modelos de avioes, Embraer e Focker, na maioria dos voos Lisb-Porto viajam em média 70/80 passageiros sendo que esse numero praticamente enche os avioes PGA mas representa apenas 50% lotaçao de qq aviao TAP, acha q esse voos deviam continuar a ser feitos pelos Airbus da TAP ? SE ME CONSEGUIR RESPONDER A ESTAS QUESTOES É SINAO QUE POR BAIXO DO CABELO COMEÇOU A HAVER QQ COISA, DOUTRA FORMA E SE NÃO FOR CAPAZ DE PENSAR POR SI E CHEGAR A ESSE TIPO DE CONCLUSOES SIMPLES, SUGIRO QEU PERGUNTE OPINIAO A ALGUEM QUE PENSE ANTES DE ESCREVER ATROCIDADES OCAS. A PGA JÁ ERA UMA COMPANHIA DE RENOME ANTES DE SER COMPRADA E O PREMIOS INTERNACIONAIS Q RECEBEU SAO A PROVA DISSO MESMO.
 
 
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