Editorial


Liberdade aos domingos

O Governo decidiu desenterrar a discussão da abertura dos hipermercados ao domingo. Ao que parece, inclina-se para autorizar o funcionamento sem restricções, deixando às autarquias a decisão no particular.

Pedro Marques Pereira

Espera-se que seja uma discussão informada e blindada a demagogias, o que, infelizmente, não costuma ser regra em Portugal, porque é uma decisão que faz todo o sentido. Sim, é triste que milhares de pessoas não tenham nada melhor para fazer num domingo à tarde do que se acotovelarem nos corredores de um Continente. Mas não consta que as competências do “monstro” público incluam, para já, definir as actividades de fim de semana dos cidadãos.

O motivo mais vezes repetido para o encerramento compulsivo das grandes superfícies nas tardes de domingo – a defesa dos comércio tradicional de rua – é quase ridículo. As pequenas lojas de bairro não agonizam por culpa dos hipermercados mas por um ordenamento urbano que, irresponsavelmente expulsou as populações para bairros periféricos onde a qualidade de vida e do espaço público é incomparavelmente pior do que no ‘shopping’.

Além disso, a verdadeira concorrência nem sequer é entre os hipermercados e as pequenas lojas de rua. Se o Continente da Amadora onde o Senhor Silva fazia as compras do mês está fechado ao domingo, ele passa a fazê-las ao sábado no mesmo local, e não na mercearia de esquina do senhor Joaquim, que por acaso está também fechada. Os grandes ganhadores com o encerramento das mega-superfícies são as cadeias de supermercados que, pela sua menor dimensão, permanecem de portas abertas: o Pingo Doce, o Minipreço, o Lidl e outros.

Os argumentos dos pequenos lojistas são demagogia de classe. Existem cidades das mais agradáveis de viver do mundo em que o comércio tradicional é altamente sofisticado, saudável e desenvolvido – Boston, nos Estados Unidos, por exemplo – onde se pode ir às compras às três da manhã. A promessa da Sonae de que baixará os preços se for autorizada a abrir os seus Continentes ao Domingo será igualmente esquecida na segunda-feira.

Nesta guerra, os argumentos de parte a parte são pouco mais que pressões de grupos de interesse, não existindo evidência de que a abertura dos hipermercados ao domingo provoque alguma ruptura social que exija esta paternalista protecção legislativa. Não há aqui, por isso, nenhum argumento que justifique limitar a liberdade dos cidadãos.

Comentários
 
NapoLeão
Problema (ou falso problema ?) com solução rápida e simples: Deixem as Autarquias decidir, concelho a concelho, o que pode e não pode abrir.
 
AcordaJorge
Concentração Económica é o que está em discussão: Mais para o líder da distribuição, ou menos, depois duma aposta no cavalo errado: a compra dos Carrefour! Quanto ao emprego, há cada vez mais máquinas automáticas para pagamento e um dia destes, é tal e qual como abastecer de gasolina; Quanto aos preços, veja-se a JM: os investidores exigiram o aumento das margens comerciais na apresentação dos resultados do exercício de 2007 e isso foi obtido no final do 1.º trimestre de 2008. O comércio tradicional sobrevive se houver menos concentração económica, com os preços mais altos, emprego mais bem pago, e mais vida nos bairros.
 
vg
Tudo certo, desde que as condições contratuais e haja flexibilidade de escolha de turnos.O que entre nós é sempre de desconfiar.Os tunisinos em Paris e os indianos em Londres ,sempre foram importnntes nas lojas de bairro,porque familiares,abrem das 9 às 23.00..
 
DPSilva
"não existindo evidência de que a abertura dos hipermercados ao domingo provoque alguma ruptura social que exija esta paternalista protecção legislativa." Nem mesmo o direito inalianável dos pais passareem um dia por semana com os filhos? Os hipermercados exploram indecentemente os seus trabalhadores quase todos em situação precária e com ordenados misaráveis. E depois choram que as famílias não têm filhos. Este extraordinário mundo do capitalismo sem regras não me atrai por mais bem embrulhado que venha.
 
jgt
Espera-se é que as autarquias não façam como costumam fazer que consiste em proibir o pequeno comércio de abrir ao Domingo e permitir que as grandes superfícies o façam ( ou alterar as regras camarárias quando, por coincidência, está prevista a abertura de uma grande superfície ).
 
António Aleixo
Podiamos abrir aos sábados,domingos e feriados os blocos operatórios para reduzir as listas de espera nos Hospitais e que tal esta ideia sem custos !!!
 
Maria Trindade
oSPORTUGUESES TEM CADA VEZ MENOS PODER DE COMPRA,SÃO CRITICADOS PELO CONSUMISMO QUE OS INDIVIDA, E OS TRANSFORMA EM REFENS DO CREDITO BANCARIO, SERÁ MESMO NECESSÁRIO ABRIR OS HIPERMERCADOS AO DOMINGO?pENSO QUE NÃO.OS CONSUMIDORES JÁ ESTÃO HABITUADOS A ABERTURA MATINAL, E HAVERÁ OUTROS ASSUNTOS MAIS IMPORTANTES,QUE DEVERIAM PREOCUPAR O GOVERNO, POR ESTE CAMINHAR HAVERÁ HIPERMERCADOS ABERTOS, MAS FALTAM CLIENTES, EMBORA HAJA SEMPRE A POSSIBILIDADE DE MAIS UM CARTÃO DE CRÉDITO, PARA COMPRAR O BIFE E AS BATATAS, E MAIS UNS EXTRAS EM PROMOÇÃO QUE NÃO FAZEM FALTA NENHUMA.
 
Zé Cardoso
Para mim é tão simples como isto: Hipermercados fechados aos domingos e feriados, pequeno comércio aberto conforme vontade própria de cada um.
 
sofia (sofia.natalia@sapo.pt)
Por favor deixem-nos estar com a nossa familia ao domingo,quero poder amar e educar os meus filhos o maior tempo possivel já que durante a semana estam na escola tenham pena de nós funcionários.que tambem temos familia
 
laurinda maria morgado (morgadolaurinda)
acho que as autarquias!!!devia pôr travâo!!!aos domingos e feriados não havia de permitir hipermercados abertos!!!estâo a estragar o pequeno comércio tradicional!!!em zonas de turismo deixar abrir!!!mas o fecho dos hipermercados!!!não vai diminuir o desemprego!!!porque as pessoas estâo sem dinheiro para comprar os própios bens essenciais!!!tentem é resolver os problemas dos cidadâos que se arrasta à longos anos!!!que política tão estranha!!!e numa altura de criminalidade no país!!!tentem é corrigir para que não haja tantos assaltos!!!acho absurdo os hiermercados toda a noite!!!somos um país pequeno e pobre.
 
a b
A prova de que os governos tem destruido,inclusive familias ser'a que n'os portugueses n~ao conseguimos preceber isso a melhor arma para esses bandidos 'e nao consumir, essa 'e a melhor forma de derrotar esses bandidos politicos e sinicos pelo sangue do povo
 
Zé singelo
O PMP demonstra uma simplicidade confrangedora.Ó homem informe-se sobre o q se passa em países civilizados. Vá a Viseu e veja como 2 superhipers mataram toda (não é o pequeno comércio)é a vida urbana de uma cidade.
 
Mike
Os centros comercias DENTRO DAS CIDADES provocam: 1)Morte das ruas comerciais e da sua alma e consequente guetização e transformação em dormitórios dessas mesmas ruas. Os centros comercias nunca deviam ter sido autorizados a abrir DENTRO DAS CIDADES. 2)Os lojistas que quiserem sobreviver têm de arrendar um espaço dentro dos centros comerciais e sujeitar-se aos contratos leoninos e ás rendas de montantes absurdos que o regime de monópolio dos centros comerciais autoriza. 3)As familias dos portugueses (consumidores e trabalhadores) também são seres humanos e gostariam de ter um dia para almoçar com a familia e brincar com os filhos. ABRIR AOS DOMINGOS ´SO INTERESSA AOS DONOS DOS CENTROS COMERCIAIS POIS FACTURAM MAIS E PODEM TER OS DOMINGOS DELES LIVRES. O RESTO DA CARNEIRADA ELES NÃO QUEREM SABER!!!!
 
Campos
Por mim, os hiper podem abrir 24/7... Quem se queixa de que estraga o tecido social e o quality time em família tem uma muito boa opção: não vão lá!
 
 
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