Editorial


Chegou a altura dos consensos

O dia 12 de Maio deverá ficar registado como um bom exemplo do que será a vida e as dificuldades de Governo até ao fim do mandato.

Bruno Proença

A equipa das Finanças e a da Segurança Social dividiram-se em negociações com os sindicatos e patrões para conseguirem apoios para as mudanças na Administração Pública e na legislação laboral.

É óbvia a importância das alterações que estão em cima da mesa. A reforma do Estado é uma das epopeias deste Executivo. Juntamente com a redução do défice orçamental, o Simplex e o Plano Tecnológico, é uma questão transversal à legislatura. E ontem devia ter ficado fechada a negociação sobre o novo contrato individual de trabalho no Estado. Mas não ficou. Não houve acordo com os sindicatos. As negociações vão para prolongamento.

O contrato individual de trabalho é uma peça fundamental da reforma, pois é a que concretiza a sua ideologia: a aproximação das regras laborais no Estado às que regulam o sector privado. Segundo as contas dos sindicatos, 80% dos funcionários públicos passarão a ter a sua relação laboral com o Estado fixada pelo novo contrato. Só a minoria das funções de soberania continuará a beneficiar da chamada nomeação, ou seja, só estas pessoas continuarão a ser funcionários públicos à antiga. O Governo garante que não há perda de direitos. E até recuou em alguns pontos para tentar garantir mais um acordo. Desta vez, ainda não foi possível. Os sindicatos desconfiam e querem mais discussão.

E agora? José Sócrates está em contra-relógio. Por um lado, quer fechar ‘dossiers’ para mostrar obra feita durante a próxima campanha eleitoral. Por outro lado, deseja consensos. Quer reduzir a contestação social ao mínimo possível. Nos próximos meses, não quer trabalhadores ou funcionários públicos a descer a Avenida da Liberdade. Até porque sabe que os efeitos da crise económica e o desemprego em alta já garantem descontentamento suficiente, que já está a ser aproveitado pelos partidos mais à esquerda – PCP e Bloco de Esquerda. E o PSD com um novo líder poderá mostrar outra capacidade para capitalizar o azedume da classe média urbana que vê o seu poder de compra espremido.  

O Governo enfrenta assim duas forças que provavelmente vão em direcções opostas. Como é que se faz a quadratura do círculo? Cedendo. Aceitando as reivindicações dos sindicatos e patrões. Há, no entanto, um perigo: das reformas ficar apenas o nome. No final, tudo fica na mesma e não se resolvem os problemas.

As mudanças na legislação laboral e na Administração Pública vão ser o teste. O Governo já conseguiu introduzir mudanças na máquina do Estado e garantiu a reforma estrutural da Segurança Social. Daqui para frente, pode seguir a direito e arriscar a maioria em 2009 ou pode ceder. Vai provavelmente jogar em cima da linha, tentando o melhor de dois mundos. Mas entre os planos e a realidade vai normalmente a distância de um oceano. O país precisa que as mudanças se concretizem. Ainda assim, é mais certo que os socialistas, pressionados politicamente, prefiram garantir nova maioria absoluta. É isto a política. O poder está acima de tudo.

Comentários
 
cabo T Macieiras (marco1alm@hotmail.com)
Maioria absoluta em 2009 só se o povo for masoquista cego surdo mudo e sem cérebro.
 
FS (xsaldanha@oniduo.pt)
Parece que o nosso país se está a preparar para se actualizar e alinhar com os outros países do clube Europeu.Entretanto os partidos de esquerda , PCP e Bloco de Esquerda , como que dizem que os portugueses não estão preparados para tamanha alteração.Como se os portugueses tivessem de ser sempre os atrasados do costume.Vamos a ver quem tem razão.
 
acordaJorge
Maioria Absoluta???? Basta de política de empobrecimento! Deixem os mais pobres se alimentar! Deixem a classe média respirar!
 
NapoLeão
O Governo meteu-se com o vespeiro da FP e em vez de resolver o mais importante, optou pela ruptura total. Perdeu a confiança dos funcionários a quem tratou "mal, muito mal" e quem se vai lixar será o Partido Socialista. Opções que fovorecem a camarada Ferreira Leite !
 
Manuel Serra
Tratar mal os funcionários públicos? Já deviam ter despedido os excedentes e reduzido o salário de uma grande maioria visto que não têm competências académicas nem profissionais para ganhar tanto dinheiro. Mais uma vez, um governo português não acabou com esta esquerda da propaganda e da incompetência. BE = Partido das Causas Sem interesse nacional, PCP = Partido das Revoluções Inacabadas. Tenham dó de nós e acabem com esta novela da função pública.
 
FOP
Maioria absoluta em 2009, só se os funcionários públicos tiverem falta de memória, depois de todos os ataques de que têm sido alvo por este governo. Sempre votei PS, mas não posso concordar com a ideia de que somos todos maus no estado. Com a falta de pessoal generalizado nos serviços, temos feito imensas horas a + sem qualquer tipo de retribuição. Os aumentos têm sido sempre abaixo da taxa de inflação e este ano a diferença será acima de 1% de perda de poder de compra (no mínimo). Vou estar cerca de 7/8 anos para subir um escalão de 20/30 €. Tenho uma avaliação abaixo do que merecia, porque os excelentes e muito bons são para uma minoria. Aliás gostava de perguntar onde està escrito que num determinado serviço com 10 funcionários só 1 é que pode ser excelente e 4 podem ser muito bons. Por acaso tenho azar porque modéstia á parte, tanto eu como parte dos meus colegas trabalhamos muito ao longo do ano para depois termos o bom , qué é a nota que todos têm, incluindo os que passam o dia na net, no messenger, a enviar e receber e-mails (particulares), e que muitas vezes estão no estado devido á famosa cunha nacional. Muito sinceramente, estou arrependido de ter ficado no estado. Tinha emprego numa grande empresa nacional sem termo, com garantias de subida e onde o mérito dos funcionários é premiado. No estado, apesar de ter trabalhado cerca de 600 horas a mais em 2007 sem receber, rececbo como classificação o BOM da praxe. Eu sei que o burro sou eu, porque podia muito bem ser como os outros e passar o dia a assobiar para o lado, mas não tenho feitio para isso. Como tal votar PS nunca mais. Este governo não devia por os 700.000 funcionários do estado todos no mesmo saco a catalogá-los de incompetentes, até porque eu lido no dia a dia com muitas empresas, e há muitas que funcionam muito, mas muito pior que alguns departamentos do estado.
 
Carlos Barata (simoes.barata@gmail.com)
Lamentavelmente, uma parte dos Portugueses alinha pela bitola do verbo fácil. De facto é simples dizer generalidades e futilidades. No entanto, verdade seja dita, se o discurso se orientar pelo genérico, a incompetencia e "Estado-Dependência" não estará senão no lado dos privados. Basta analisar dados e proceder a análises teóricas e práticas do funcionamento da economia. É certo que as Autarquias são um cancro. Também é certo que o Estado procede de forma muitas vezes prejudicial ao desenvolvimento da Economia e do País. É incontestável que parte dos quadros da Administração são parcamente produtivos. Mas, verdade seja dita, o que empobrece de facto o País é a incompetência, a Corrupção, a "esperteza" e mais um grupo vasto de adjectivos que poderão catalogar cristalinamente a maior parte da Economia Privada Nacional. Há de facto bons exemplos. Muitos. De excelência. Mas, face a face, Público e Privado não deverão estar muito longe no contributo que dão para o marasmo e subdesenvolvimento Português. À esquerda é mais difícil afirmar isto, porque ou já se encontra sem crédito ou já está mais à direita que a própria Direita Portuguesa. À Direita, os exemplos de "fala baratos" anti "tudo o que é público" mas que sempre viveram (e grande parte nem sabe fazer mais nada) da coisa pública, são tantos e tão desacreditados que, verdade seja dita, representam o nível bem mediano (na minha opinião, mesmo medíocre) das (pseudo) elites nacionais. As generalidades em que todos se parecem perder para atacar tudo e mais alguma coisa, são, de facto, inversamente proporcionais às necessidades do País: Objectividade, Competência, Valor e Eficácia. O resto, é apenas espuma dos dias.
 
apa
Lembro ao Sr.FOP que no sector privado tem de se trabalhar muito para vencer e em regra é avaliado diariamente, não se progride na carreira automaticamente, bastando só esperar, e não pode mete o artigo para poder faltar, como sucede na função publica. Eu conheço os dois lados da situação porque estive no estado e no privado. Lisboa
 
António Ribeiro de Vila Real (afpr56@sapo.pt)
O comentário de António Serra mostra o esforço que a máquina da propaganda do PS faz para fazer passar leis que ninguém até hoje teve a coragem de publicar! Em benefício de quem? Dos mesmos do costume ou seja de uma minoria para quem na verdade o governo e o PS legislam a coberto de modernidades que em rigor não se sabe onde conduzem!
 
salvem a pátria dos parasitas
O reinado Sócrates está acabar, pode dizer adeus à maioria, pois, o povo português não esquece quem lhe fez tanto mal durante o reinado de terror que agora se vive em Portugal. O pavor do chefe do governo começa a ficar mais notório nas expressões pessimistas que faz quando fala da crise profunda que em 2009 que o povo vai sentir na pele devido ao desastre económico e alimentar que os falsos socialistas acabaram de fazer.
 
EO (euriveira@gmail.com)
Provavelmente as competências académicas do sr M.Serra sejam extraordinárias para não ser tolerante às ideias e convicções dos outros.O respeito pelo próximo é uma das virtudes que nem todos possuem infelizmente. (sou apolítico)
 
 
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