Editorial


Passa ao outro...

Em apenas duas sessões de trabalho, a comissão de inquérito parlamentar ao “caso BCP” ouviu os supervisores - Banco de Portugal e CMVM -, o fundador e presidente histórico do banco, Jardim Gonçalves, e o seu sucessor, Paulo Teixeira Pinto.

Sílvia de Oliveira

Durante longas horas, os deputados tiveram à sua disposição as pessoas que, muito provavelmente, mais informação têm sobre o suspeito caso das ‘offshores’ que está a ser investigado pelo DIAP. Mas nada. Até agora, pura perda de tempo, revisão da matéria dada, exercícios de defesa e até alguma propaganda. Se as investigações ao BCP não fossem um assunto demasiado sério - existem sérias suspeitas de crime - quem assistiu às duas sessões da comissão de inquérito poderia imaginar que dentro daquela sala se jogava ao “passa ao outro e não ao mesmo”. E se tudo acabasse ontem, não existiriam responsáveis, muito menos culpados, com elevada probabilidade nada se teria passado e as investigações em curso não passariam mesmo do delírio de alguns.

Os supervisores garantem não ter falhado e empurram para o BCP, que acusam de ter mentido e omitido informação. Jardim Gonçalves devolve o encontrão, diz que “o BCP nunca enganou ninguém” e que sempre prestou a informação exigida pelas autoridades sobre as ‘offshores’. O fundador daquele que é hoje o maior banco privado do país passa também para baixo e conta que muitos dos contactos com a supervisão e das decisões de concessão de crédito foram tratadas directamente pelos serviços competentes do BCP. “Haverá muita coisa que não saberei”, diz, e daquilo que sabe não fala, alegando dever de segredo. Paulo Teixeira Pinto também se desviou. Dedicou boa parte do seu tempo de antena a defender a sua reputação e bom nome, disse não ter sabido dos perdões de dívida ao filho de Jardim Gonçalves e que a concessão de crédito para compra de acções do BCP, através de ‘offshores’, nunca foi discutida nos muitos conselhos de administração do banco a que assistiu. Até o BCP chutou para o secretariado do banco, ou seja, para Paulo Teixeira Pinto, a responsabilidade de eventuais falhas na prestação de informação aos reguladores.

Apesar da comissão de inquérito ser tudo menos a brincar, o melhor mesmo é acreditar que tudo isto não passou de uma brincadeira e que, em sede própria, nos gabinetes de supervisão do Banco de Portugal e da CMVM, bem como no DIAP, tudo será muito diferente. Que, mesmo sem assinaturas, existirá uma conclusão.

Comentários
 
NapoLeão
Conclusão: Arquivamento !
 
vg
É o que se espera deste tipo de gente.Já não há verdadeiros banqueiros,credores da nossa confiança
 
joca (jms_vz@msn.com)
Havera de facto uma conclusao...eh,eh,eh..nem me atrevo a comentar qual..Ja agora, ja alguem me explicou, como cliente do Banco...se o filho do senhor Jardim ja pagou o ke devia??
 
AcordaJorge
Quem destruiu valor? Os accionistas ficaram mais pobres e os administradores reformaram-se com bónus, indemnizações e reformas milionárias! A OPA ao BPI serviu para os Administradores enriquecerem, destruindo valor. E agora gozam a reforma dourada....
 
Joaquim
Excelente análise da situação no BCP. Os meus parabéns.
 
Tribunus
è para mim um espanto, que o BP, tenha indicado como auditores, os antigos auditores internos e externos, segundo noticia escrita no vosso jornal! Depois do que foi dito na Comissão pelos pseudo banqueiros, pregunto-me, que confiançã pode haver no sistema bancario portugues, e nos seus controladores? não falo por mim, mas pelas empresas de notação que não dormem e seguem a evolução financeira e economica ! Podia haver um pouco mais de vergonha!, se tudo corre bem, porque estão os bancos a negociar cedulas hipotecárias?
 
BCP
Crimes... O pequeno cada vez fica mais pobre...
 
XYZ
...e espera-se pulso forte nessa conclusão, na certeza porém que, isto tudo não é brincadeira nenhuma de crianças.Que as autoridades competentes, envolvidas no esclareciemtno público neste imbróglio não se deixam levar na conversa mole destes senhores e sejam devidamente imparciais.Aguardamos com confiança, a justiça pode tardar mas não vai falhar.
 
FT
Subscrevo na íntegra o comentário do Joaquim.
 
João Mendes
Agora ainda me parece mais grave. Isto parece a prova que não podemos confiar nos Bancos, já que os seus responsáveis não sabem de nada, não ouvem nada, não percebem nada, não decidem nada e até acham normal receber tanto dinheiro para tão pouca responsabilidade! As culpas, se as houver, ainda vão parar às empregadas da limpeza ...
 
punição
estes senhores estão acima da lei? o sr socrates esta acima da lei? que moral têm estes individuos ? prevaricam e têm a distinta lata de terem duvidas e mesmo afirmam. que "pensam 2que não estão a prevaricar. também quero $$$$$.... também quero fumar onde quizer...
 
Espelhos dos políticos de abril
O caso BCP, o caso Casa Pia e outros bem como o estado a que o País chegou são o espelho da geração de políticos que opunham ao Estado Novo.É pena.
 
VIRIATO
Resta-nos acreditar que os supervisores analisam as irregularidades de uma maneira disciplinada e rigorosa e que tirem conclusões rápido...mais do que tem sido até á data!Os accionistas têm ainda uma palavra a dizer nesta pantomina e reclamar a devolução/suspensão das mordomias assumidas por essa "gente"!
 
tocobento
Era muito importante para o bem de Portugal e para a credibilidade da Banca que houvesse uma real responsabilização dos culpados e dos mentirosos. Assim não há credebilidade e sem credibilidade não há confiança e sem confiança....
 
Mox
As comissões de inquerito nunca deram em nada. Servem somente para os deputados mostrarem trabalho. Se as entidades reguladoras ainda não chegaram a uma conclusão - se é que chegam - não era numa comissão de inquerito que se iria descobrir algo que não se sabia, até porque o JG disse que não poderia revelar certas situações porque estava em segredo de justiça. Por isso, quem pensava que isto iria dar a alguma coisa, enganou-se.
 
ex-colaborador BCP
Com o apertado controlo interno existente no BCP é improvável o que é alegado por estes senhores... O Portugal dos poderosos só prova que tudo passa incólume a esta situação
 
jcfilipe
XYZ, aonde quer que resida e cuide da sua vida, vença a distancia anos luz que nos separa e venha passar uma férias a Portugal.Nós somos um País lindo, desmazeladamente tratado e um Povo ingénuo mas não inocente que precisa do desenvolvimento turístico.
 
 
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