Política

Sociedade 2008-04-08 20:40

Papel central do trabalho marca debate do Clube dos Pensadores

O papel central do trabalho, numa sociedade globalizada, e as suas repercussões económicas, sociais, culturais e, acima de tudo políticas, foram as premissas sobre as quais Carvalho da Silva versou no debate promovido pelo Clube dos Pensadores sobre o tema ‘Trabalho e Sindicalismo em tempo de Globalização’.

Tiago Figueiredo Silva

O secretário-geral da CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses) teve a seu lado Joaquim Jorge (biólogo e fundador do Clube dos Pensadores), para além de João Luís Sousa (jornalista e director - adjunto do semanário Vida Económica) e José Carvalho (engenheiro e membro do Clube).

Para Carvalho da Silva, num “sistema neoliberal, de paradigmas económicos”, as reformas urgentes que são necessárias obrigam “a sociedade actual a roturas significativas”. Ao abordar os problemas dos trabalhadores, o líder sindical descreveu o que mais o preocupa: a precariedade do trabalho, a desatenção ao sector produtivo e os problemas da administração pública.

Ainda de acordo com o secretário-geral da CGTP, “os sindicatos não conseguem dar resposta a vários desafios lançados. A precariedade do trabalho conduz a uma vida precária, por isso a sociedade tem que ser alertada para estas situações, tem que haver consciência social”. A “diabolização dos sindicatos e dos trabalhadores” contribuiu igualmente para o atrofiamento da actividade sindical na sociedade. Como uma das soluções, Carvalho da Silva propõe que se altere as leis laborais, com especial enfoque para a “contratação colectiva e para a mobilidade e flexibilidade”.

João Luís Sousa alertou para os perigos das economias do Oriente, em especial da China, que estão em crescimento e que minimizam o sector produtivo europeu. Um dos maiores desafios para a Europa provém da criação de riqueza na China, que assenta num “sistema comunista, mas com relações de trabalho perto do capitalismo e exploração da mão-de-obra barata”. Para o jornalista, os “sindicatos têm que contribuir para a mudança, mas com menos rigidez”.

Já Joaquim Jorge considera que “Portugal assenta o seu desenvolvimento no definhamento de quem trabalha e no enriquecimento dos grupos dominantes”. O biólogo e fundador do Clube dos Pensadores alertou para “o preconceito contra os funcionários públicos, sendo o braço visível das políticas públicas, onde se repercute o peso e lentidão da burocracia” e a “mobilidade especial com a criação de quadros excedentários cria muita ansiedade e tensões”.

O fundador acrescentou que “a proclamação do direito de fazer sem a contrapartida dos direitos a que se têm direito”, com “o consequente esvaziamento das suas funções profissionais e diminuição dos seus vencimentos”.


Comentários
 
Alves (bocamolle@hotmail.com)
Direi que é o "papel principal"...o do trabalho! Para meia duzia viver bem e não fazer nada e aparecer nos "100 mais ricos", a maioria tem de trabalhar por salarios baixos, precarios e sem condições! É esse o papel do trabalho!Quantas pessoas ricas se conhecem que tenham ficado ricas a trabalhar? Só determinados "pensadores" não vêm o obvio! Talves por quererem passar a fazer parte da minoria!!
 
 
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